Famosa amputa braço e morre após ataque assustador de cachorro do próprio filho

Por Guilherme Rodrigues 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Famosa amputa braço e morre após ataque assustador de cachorro do próprio filho

Neulizete de Souza Ferraz, ex-chacrete conhecida como Lia Hollywood, faleceu aos 66 anos no dia 28 de novembro do ano passado. A famosa esteve internada durante mais de um mês no Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama, interior do estado do Rio de Janeiro.

A estrela foi atacada pelo cachorro da raça pitpull do próprio filho. A situação acontece na casa onde eles viviam, na Praia do Sudoeste, em São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos. De acordo com o G1, pessoas próximas da família afirmaram que o animal já atacou outros moradores da região.

A ex-chacrete teve lesões graves nos braços, penas e rosto, chegando a ter fraturas expostas. Por causa da gravidade dos ferimentos, Neulizete chegou a ter que amputar o braço direito. Após ser entubada, a artista teve duas paradas cardiorespiratórias e não resistiu.

QUEM ERAM AS CHACRETES?

As chacretes constituíram um elemento central na estética e na dinâmica de palco dos programas comandados por Abelardo Barbosa, o Chacrinha, entre as décadas de 1970 e 1980. Diferente de assistentes de palco convencionais de outros programas de auditório, essas mulheres desempenhavam uma função que misturava figuração, coreografia e suporte logístico ao apresentador, tornando-se indissociáveis da identidade visual da atração.

No ambiente do programa, as chacretes ocupavam o fundo ou as laterais do palco, mantendo uma movimentação constante conhecida como ‘o rebolado’. Essa coreografia contínua servia para preencher o espaço visual da televisão colorida, que ainda era uma novidade técnica em expansão no Brasil. Elas eram escaladas para interagir com os calouros e com as atrações musicais, muitas vezes servindo de anteparo para as brincadeiras muitas vezes rudes e improvisadas de Chacrinha.

A rotina de trabalho era marcada por uma disciplina rígida imposta pelo apresentador. Embora o ambiente parecesse caótico para o telespectador, havia uma hierarquia clara. As chacretes precisavam cumprir horários de ensaios exaustivos e manter um padrão físico específico, ditado pelas exigências da produção e pela recepção do público.

O figurino das chacretes era um dos pilares da composição do programa. Utilizavam maiôs cavados, lantejoulas, penas e botas, uma indumentária que remetia ao universo do cabaré e do Carnaval, mas adaptada para o consumo doméstico vespertino. Essa exposição do corpo feminino era um dos principais motores de audiência, operando dentro de uma lógica de objetificação que era característica da televisão daquela época.

Nomes como Rita Cadillac, Índia Amazonense e Vera Furacão tornaram-se conhecidos nacionalmente, não necessariamente por talentos individuais específicos na dança ou na atuação, mas pela capacidade de manutenção de uma persona pública atrelada ao programa. A fama adquirida era, em grande medida, uma extensão da marca Chacrinha, e poucas conseguiram transitar para carreiras autônomas de longo prazo nas artes após o fim do programa.

A presença das chacretes nas tardes de sábado gerava debates sobre moralidade e o papel da mulher na mídia. Para setores conservadores da sociedade, a indumentária e a dança eram consideradas inadequadas. Por outro lado, para a indústria do entretenimento, elas representavam um produto comercial eficiente, capaz de atrair patrocinadores e manter altos índices de Ibope através do apelo visual.

Com a morte de Chacrinha em 1988, o modelo de assistentes de palco personificado pelas chacretes sofreu transformações, mas o legado operacional permaneceu. O conceito de um grupo feminino uniformizado servindo de apoio estético a um apresentador masculino foi replicado em diversos outros programas de auditório nas décadas seguintes, consolidando um padrão de produção televisiva que prioriza a plasticidade do palco em detrimento do conteúdo informativo ou cultural.

Em suma, as chacretes foram peças de uma engrenagem técnica e comercial. Sua existência no vídeo era pautada pela funcionalidade: preencher o cenário, reagir aos comandos do apresentador e sustentar uma estética de excessos que definiu a televisão brasileira de massa no final do século XX.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: