Farmacêuticas surpreendem no 1º tri e desafiam risco regulatório nos EUA

Por Ana Luiza Serrão 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Farmacêuticas surpreendem no 1º tri e desafiam risco regulatório nos EUA

As farmacêuticas AstraZeneca e GSK começaram 2026 acima do esperado pelo mercado, com resultados que surpreenderam analistas e trouxeram um respiro após um período marcado por maior incerteza regulatória no setor.

As duas companhias divulgaram resultados trimestrais melhores que as projeções de analistas, sustentados principalmente pelo bom desempenho em oncologia e vacinas, segundo dados compilados pela CNBC.

O movimento chama atenção porque ocorre em meio a discussões mais intensas sobre novas regras de precificação de medicamentos nos Estados Unidos (EUA), que podem pressionar margens e afetar o ritmo de inovação do setor.

Resultados do 1º trimestre

A AstraZeneca registrou lucro por ação de US$ 2,58 no primeiro trimestre, ligeiramente acima dos US$ 2,53 esperados pelo mercado, de acordo com dados da FactSet divulgados pela imprensa internacional.

A receita chegou a US$ 15,3 bilhões, também superando as estimativas, que giravam em torno de US$ 14,9 bilhões. O principal destaque foi novamente a área de oncologia, com crescimento de 16% em moeda constante.

Já a GSK teve lucro ajustado por ação de 0,47 euros ou cerca de US$ 0,63, acima da previsão de 0,43 euros. A receita total ficou em 7,63 bilhões de euros ou, aproximadamente, US$ 10,3 bilhões, alta de 5% e em linha com o esperado.

Regulação sensível nos EUA

O governo estadunidense discute a adoção da chamada política de "nação mais favorecida" (MFN, em inglês), que pode atrelar os preços locais aos praticados em outros países, tradicionalmente mais baixos.

A medida, segundo fontes consultadas pela CNBC, é vista pelo setor como potencial fator de pressão sobre a rentabilidade global.

O CEO da Novartis, Vas Narasimhan, afirmou que os efeitos da política devem começar a aparecer nos resultados ao longo dos próximos 18 meses, e alertou para o risco de a Europa perder competitividade no lançamento de novos medicamentos.

O ambiente regulatório nos EUA adiciona complexidade ao setor, na visão do CEO da GSK, Luke Miels. Todavia, "não há mudanças imediatas em nossa sequência de lançamentos ou em nossas decisões de portfólio com base no que sabemos hoje."

Já na AstraZeneca, o CEO Pascal Soriot destacou que a empresa atravessa um ciclo favorável de novos produtos, reiterando a meta de atingir US$ 80 bilhões em receita até 2030.

Mercado reage aos resultados

As ações da AstraZeneca caíram 1,4% em Nova York e as da GSK recuaram 2,5% em Londres. Ainda assim, o desempenho no ano segue forte: em 12 meses, os papéis da GSK acumulam alta de 42% e os da AstraZeneca, de 30%.

Os números, compilados pela CNBC, superam com folga os principais índices europeus no período, com o Stoxx 600 avançando 15% e o FTSE 100 subindo 22%.

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