Faturamento não é lucro: as lições do Choque de Gestão no empório espanhol que cresceu rápido demais
Tem negócios que chamam a atenção logo de cara — o Empório Pata Negra, no Ipiranga, é um deles. Entre presuntos ibéricos e embutidos artesanais, a loja entrega uma experiência rara no Brasil. À frente da operação, Eliana Azevedo conduz o negócio com repertório e rigor na curadoria.
O problema é que paixão e lucro raramente andam no mesmo ritmo quando os processos de gestão ficam para depois.
Isso ficou evidente no novo episódio do Choque de Gestão, o reality show da EXAME com patrocínio do Santander Empresas, que coloca empreendedores reais diante de especialistas em gestão para uma conversa honesta sobre o estado real de seus negócios.
Eliana chegou ao programa com uma queixa que muitos empreendedores reconheceriam: o movimento existe, os produtos são excelentes, mas o caixa não fecha como deveria.
O chef de cozinha Carlos Bertolazzi e Elton Alcantara, especialista do Santander Empresas, foram até o empório para destravar a operação.
Quando o movimento não se converte em resultado
Eliana sabia de forma aproximada quanto o Empório Pata Negra faturava. Mas não sabia, com precisão, quanto cada frente do negócio contribuía para esse número.
O restaurante, os eventos corporativos, a venda de produtos na loja física, o delivery: tudo estava misturado em um só resultado, sem separação clara de receita, custo e, principalmente, margem.
Esse é um problema comum que parece entre empreendedores que cresceram de forma orgânica, movidos pela intuição e pelo domínio técnico do produto. O negócio vai funcionando, o faturamento vai crescendo, e a gestão financeira vai sendo empurrada para depois.
"A gente primeiro tem que entender como estão todas as coisas", diz Bertolazzi. "Você fez vários investimentos que usou o caixa próprio e hoje o caixa não tem dinheiro. Esse caixa próprio foi utilizado e, de certa forma, ele não retornou."
Rentabilidade por canal
Um dos pontos centrais do diagnóstico foi a ausência de análise de rentabilidade por canal.
Cada frente do Pata Negra tem uma dinâmica própria: o restaurante exige equipe, operação diária e custos fixos elevados; os eventos têm ticket médio mais alto, mas ciclos de pagamento mais longos; a loja depende de giro de estoque; o delivery carrega taxas e margens diferentes.
Sem separar esses dados, todas essas realidades distintas se misturam em um único número. E isso impede respostas básicas para o negócio, como qual canal é mais lucrativo e qual precisa ser ajustado.
“Se você não sabe quem paga a conta, você não sabe para onde crescer”, diz Bertolazzi.
A discussão ganha ainda mais relevância quando entra na pauta o plano de expansão.
Eliana considera levar o restaurante para bairros como Jardins ou Itaim, onde o público de maior poder aquisitivo é mais concentrado. A ideia faz sentido do ponto de vista de posicionamento, mas esbarra em uma questão anterior: o modelo atual é rentável?
Sem essa resposta, mudar de endereço pode significar apenas replicar o problema em outro CEP.
Outro ponto levantado no episódio foi o papel simbólico do restaurante dentro do negócio. Mais do que um canal de receita, ele funciona como vitrine da marca, espaço onde o cliente experimenta os produtos e constrói conexão com o universo do empório. Esse valor existe, mas precisa ser tratado com consciência financeira.
Se o restaurante for, na prática, um investimento em marca, isso deve estar explícito na estratégia. O custo de mantê-lo não pode ser encarado como um vazamento invisível de caixa.
Como o Pata Negra pode organizar a gestão financeira
Para começar a organizar esse cenário, o Santander Empresas apresentou ferramentas que permitem estruturar a gestão financeira com mais precisão.
A solução de Gestão Financeira, por exemplo, possibilita separar faturamento por canal, acompanhar fluxo de caixa em tempo real e entender a origem dos resultados. Na prática, dá ao empreendedor algo que faltava no caso do Pata Negra: visibilidade.
Além disso, soluções como maquininhas integradas, QR Code com liquidação imediata, link de pagamento e antecipação de recebíveis ajudam a encurtar o ciclo de caixa, reduzindo o intervalo entre vender e receber. Em operações com eventos corporativos, onde os prazos podem ser mais longos, esse ponto faz diferença direta no capital de giro.
Mais do que tecnologia, o episódio reforça uma mudança de lógica. Eliana chegou pensando em expandir. Sai com outra ordem de prioridades: primeiro entender, depois organizar, e só então crescer.
O fluxo de caixa saudável é resultado de uma gestão que conhece seus números, separa suas operações e toma decisões com base em dados, não em percepção.
Ao final, o diagnóstico não aponta falta de potencial. Pelo contrário. O Empório Pata Negra tem produto diferenciado, marca construída e demanda comprovada. O que faltava era clareza sobre como tudo isso se traduz em resultado financeiro.
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