Fever capta R$ 50 milhões para ampliar frota de veículos elétricos no Brasil

Por Bianca Camatta 27 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fever capta R$ 50 milhões para ampliar frota de veículos elétricos no Brasil

A União Europeia quer proibir a venda de novos carros a gasolina e diesel a partir de 2035. Mudanças como esta ainda não chegaram no Brasil, mas uma empresa catarinense está de olho nos avanços de mobilidade e sustentabilidade.

A aposta está na locação de carros elétricos para empresas. Para ampliar a operação, a Fever, de Florianópolis, acabou de captar R$ 50 milhões por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

“A Fever está preparando o mercado e conversando com os grandes players, mostrando que já oferecemos uma solução para que as empresas se antecipem à regulação”, diz Nelson Füchter Filho, fundador da Fever.

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A empresa oferece veículos de transporte de mercadorias e serviços, com assistência técnica e manutenção da frota. s modelos são produzidos por fabricantes parceiros no exterior e importados pela empresa, que concentra sua atuação na operação, locação e financiamento.

A captação será utilizada para financiar novos veículos e poder atender mais empresas e as demandas das grandes companhias. O número de veículos contratados em relação ao último ano deve quintuplicar e o faturamento crescer em dois dígitos.

O fundo de R$ 50 milhões

Como uma empresa de locação, o crescimento da Fever depende diretamente do número de veículos disponíveis – e é isso que motivou a rodada.

“Não podemos depender das oscilações do mercado financeiro para crescer. Precisávamos de uma estrutura de capital que acompanhasse o ritmo dos contratos”, diz Filho.

Para viabilizar esse modelo em escala, a empresa estruturou um FIDC, batizado de Fleeter, que será direcionado inteiramente para a aquisição de novos veículos.

A operação é liderada pela Horizonte Investimentos, como gestora, com a Capitânia Investimentos atuando como cogestora e investidora âncora. A estrutura conta ainda com a participação da própria Fever Fleet, como cotista subordinada, além de FIDD Group na administração, BTLaw na estruturação jurídica e Liberum como agência de rating.

Fever Nextem FN1000 se assemelha a um caminhão, mas em tamanho reduzido, ideal para circular em áreas urbanas (Divulgação)

Filho espera que a primeira rodada se esgote até junho, quando uma nova rodada de R$ 200 milhões deve impulsionar o crescimento. Com a nova captação, o esperado é que o número de veículos financiados fique entre 1 mil e 1,2 mil.

Após comercializar cerca de 100 veículos no ano passado — período marcado pelo lançamento da operação —, a meta é atingir 500 unidades em 2025 e, no ano seguinte, chegar a pelo menos mil veículos.

“Nossas negociações indicam que os primeiros recursos devem ser consumidos rapidamente, com clientes que já manifestaram interesse”, afirma.

Frota urbana elétrica

“São veículos comerciais leves, com dirigibilidade muito parecida com a de um carro de passeio”, diz Filho.

Além da adequação ao ambiente urbano, os veículos se destacam pelo ganho econômico. Segundo a empresa, o custo por quilômetro rodado pode ser mais de 80% inferior ao de modelos a combustão.

Há ainda vantagens operacionais, como a isenção de rodízio em cidades como São Paulo, o que aumenta a disponibilidade da frota.

A estratégia comercial começa pela redução de custos operacionais, mas evolui para uma oferta mais ampla, que inclui locação, manutenção, seguro e gestão da frota, sem necessidade de investimento inicial.

“Apresentamos uma proposta de redução de custo, mas entregamos uma solução completa para o cliente operar melhor”, afirma.

Origem da Fever

Criada a partir de uma tradição familiar no setor automotivo, a catarinense Fever surgiu em 2022 com uma proposta clara: atuar no cruzamento entre eletromobilidade e logística urbana. A ideia foi identificar oportunidades em dois movimentos simultâneos: a eletrificação dos veículos e a transformação do consumo impulsionada pelo e-commerce.

Com foco exclusivo em veículos comerciais 100% elétricos, a empresa desenvolveu um portfólio voltado à chamada “última milha” — etapa final da entrega, geralmente feita dentro dos centros urbanos.

O início foi marcado por triciclos elétricos, usados como MVP para validar o negócio. Em seguida, vieram veículos voltados a operações internas (como aeroportos e centros logísticos) e, mais recentemente, a empresa avançou para veículos urbanos leves.

Um dos desafios iniciais foi estruturar o pós-venda. Para isso, a empresa firmou parceria com a Bosch, garantindo uma rede de cerca de 900 pontos de assistência técnica no país.

Mais do que vender veículos, a Fever estruturou um modelo que combina três frentes: fornecimento dos carros, locação e financiamento. Em vez de adquirir a frota, os clientes podem optar pelo aluguel, incluindo manutenção e seguro.

“Percebemos que o cliente não quer só o carro. Ele quer uma solução completa, sem precisar imobilizar capital”, afirma Filho.

Mesmo tendo nascido em Santa Catarina, hoje 80% dos clientes estão no estado de São Paulo – capital e interior. Região em que a empresa espera expandir mais.

“No Brasil, tudo começa por São Paulo. É o coração do e-commerce, onde estão o maior mercado consumidor e os principais centros de distribuição”, diz.

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