Filha de Diego Maradona acusa médicos do pai de manipulação
Gianinna Maradona, filha de Diego Maradona, prestou depoimento nesta quinta-feira no julgamento que apura a morte do ex-jogador. A audiência marcou a rejeição das acusações feitas contra ela por um dos réus e incluiu críticas à conduta da equipe médica responsável pelo tratamento do ex-atleta.
O testemunho ocorreu durante a terceira sessão do novo julgamento, retomado após a anulação do processo anterior, em maio de 2025. Gianinna, de 36 anos, apresentou sua versão dos fatos diante dos juízes.
Inicialmente previsto para a audiência anterior, o depoimento foi adiado após um pedido de declaração do neurocirurgião Leonardo Luque, apontado como principal acusado e identificado como médico de confiança de Maradona.
Na ocasião, Luque afirmou que “não estava a cargo” do tratamento do ex-jogador e atribuiu à filha a responsabilidade de buscar um médico clínico antes da morte, o que, segundo ele, não teria ocorrido.
"Eu respondi que iria me encarregar (de procurar), não que tinha um médico ou que eu sou médica. Simplesmente disse que iria procurar. De nenhum ponto de vista vou me responsabilizar por essa situação. Eu confiei, lamentavelmente, cegamente nestes seres, que a única coisa que fizeram foi deixar meu filho sem avô e a mim sem pai", declarou Gianinna, ao contestar a acusação e apontar tentativa de responsabilização por parte dos profissionais envolvidos.
Os magistrados já haviam negado um pedido da defesa da psiquiatra Agustina Cosachov para suspender o depoimento. A solicitação se baseava na hipótese de responsabilidade penal de Gianinna por descumprimento de deveres de assistência familiar.
“Nunca se insinuou algo tão agressivo para a dignidade de uma pessoa, nunca se insinuou algo tão agressivo para a dignidade de uma vítima”, afirmou o advogado Fernando Burlando.
Durante o relato, Gianinna mencionou um episódio ocorrido em 30 de outubro de 2020, quando visitou o pai em seu aniversário. Segundo ela, Maradona estava desorientado e “com o olhar perdido”.
De acordo com o depoimento, ao ser questionado se queria sair do local, o ex-jogador respondeu positivamente. A tentativa de levá-lo foi interrompida por integrantes da equipe médica, com apoio da polícia.
Outro ponto abordado foi a decisão de manter Maradona em recuperação domiciliar após uma cirurgia recente, em vez de interná-lo em uma unidade hospitalar.
“Parecia-nos que interná-lo era o melhor, pela experiência de quando ele havia se recuperado da cocaína, mas (ao mesmo tempo) que éramos umas filhas da puta se o internássemos”, disse.
Decisão sobre internação e estrutura médica
"Luque nos disse que não era opção para meu pai ser internado em uma clínica. Que primeiro tentássemos uma internação domiciliar. Nesse momento eu nem podia imaginar que estavam planejando outras coisas", acrescentou.
Após a reprodução de um áudio em que Luque sugeria estruturar a residência para cuidados médicos, com equipe e equipamentos adequados, Gianinna afirmou que a estrutura prometida não foi entregue.
"A manipulação foi absoluta e horrível, me sinto uma idiota”, disse.
O processo inclui, além de Luque e Cosachov, outros profissionais de saúde: o psicólogo Carlos Díaz, a médica Nancy Forlini, o médico Pedro Di Spagna, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni e o enfermeiro Ricardo Almirón. Todos respondem por homicídio simples com dolo eventual.
*Com informações da Agência EFE.
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