Filho de princesa da Noruega vai a julgamento por crimes sexuais
Marius Borg Høiby, filho de 29 anos da princesa herdeira ao trono da Noruega Mette-Marit, enfrenta quatro acusações de estupro e uma de violência doméstica. Declarou-se inocente dessas acusações nesta terça-feira 3, primeiro dia de um midiático julgamento que abala a imagem da realeza no país escandinavo. Todavia, admitiu, total ou parcialmente – como permite a legislação do país – sua culpa em outras acusações de violência, ameaças, uma infração à lei de drogas e outros crimes de tráfico.
Nesse domingo 1, Høiby, que por nascer em outro casamento não tem títulos reais, foi colocado em prisão preventiva por quatro semanas a pedido da polícia, “devido ao risco de reincidência” por novas suspeitas: atentar contra a integridade física, ameaças com uso de faca e violação da proibição de contato com uma pessoa.
Os supostos casos de estupro — um deles com penetração durante um período de férias ao lado do príncipe Haakon nas ilhas Lofoten, um popular ponto turístico na Noruega, em 2023 — ocorreram após relações consentidas, muitas vezes em noites de consumo de bebida alcoólica, quando as vítimas não estavam em condições de se defender, segundo a acusação. Høiby teria, inclusive, filmado alguns dos atos com seu celular.
"Se Marius se declara inocente (…), é simplesmente porque percebeu o conjunto de fatos como relações sexuais normais e consentidas", rebateu a defesa.
Høiby dará sua versão na quarta-feira. O veredito do caso deverá ser anunciado algumas semanas após o fim do julgamento, previsto para 19 de março. Se culpado, poderá pegar até 16 anos de detenção.
Julgamento midiático e escândalos da realeza
Antes do início do julgamento, o promotor Sturla Henriksbø afirmou à AFP que Høiby não seria tratado "nem com mais indulgência, nem com maior severidade" por seus vínculos com a família real.
Mesmo assim, sua defesa criticou a “exposição midiática negativa” e os comentários que, segundo ela, contribuem para a condenação antecipada de seu cliente. "Nosso cliente absolutamente não recebeu tratamento normal. E ele não recebeu nenhum tratamento positivo" , disse Ellen Holager Andenaes ao tribunal. "A cobertura da imprensa - que réu vê 10.000 artigos de imprensa escritos sobre ele? Ele já viu livros sendo escritos sobre ele e mais estão por vir.”
Segundo uma pesquisa publicada nesta terça-feira pelo canal televisivo norueguês TV2, mais de 70% da população da Noruega considera que a monarquia se enfraqueceu nos últimos anos, marcada também por outras polêmicas.
Coincidentemente, o Parlamento norueguês votou no mesmo dia, por uma maioria esmagadora, a favor de manter o regime monárquico na Noruega.
Além do julgamento, outro caso abala a imagem da família: a aparição em pelo menos 1.000 ocasiões do nome de Mette-Marit nos arquivos publicados nos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein, um famoso criminoso e traficante sexual cujos arquivos de e-mails, fotos e conversas vêm expondo uma série de grandes nomes na política americana que faziam uso de seus serviços.
As mensagens entre os dois foram trocadas entre 2011 e 2014, quando ela já estava casada com o futuro rei da Noruega. Epstein já havia sido condenado em 2008 a pouco mais de um ano de prisão por prostituição de menores.
"Demonstrei falta de critério e lamento profundamente ter mantido contato com Epstein. É simplesmente vergonhoso", declarou a princesa herdeira em um comunicado enviado à AFP pelo Palácio Real da Noruega.
Com informações da AFP
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