'Fim da escala 6x1 será trágico para o agro', diz setor de milho
BRASÍLIA* — O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, disse nesta quarta-feira, 13, que o fim da escala 6x1 pode prejudicar o agronegócio brasileiro. Segundo o executivo, a decisão sobre a escala de trabalho não deve ser tomada 'do dia para a noite'.
"Seria trágico isso acontecer. Além de empobrecer o Brasil, trazer comida mais cara, risco de desabastecimento, perda de renda e perda de riqueza, isso não é um debate para uma decisão ser tomada do dia para a noite", afirmou em entrevista à EXAME durante o 4º Congresso da Abramilho.
Nesta quarta, https://exame.com/brasil/governo-lula-e-hugo-motta-fecham-acordo-para-votar-fim-da-escala-6x1-com-pec-e-projeto-de-lei/">representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) fecharam o acordo sobre o modelo legislativo a ser adotado para a redução da escala 6x1.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso vai estabelecer a redução da jornada das 44 horas semanais atuais para 40 horas, com duas folgas obrigatórias por semana e sem redução de salários.
O relator da matéria na comissão especial sobre o fim da escala 6x1 na Câmara, Leo Prates (Republicanos-BA) afirmou que não há, ainda, acordo sobre regra de transição. Oficialmente, o governo Lula queria aplicação imediata, mas aceita negociar uma transição curta, idealmente de 90 dias.
Segundo Bertolini, o agronegócio não tem a possibilidade de diminuir a escala justamente porque o setor demanda muita mão de obra.
"Nós trabalhamos sete dias por semana, 24 horas. Quem tem leite, quem tem suínos, sabe disso. O agro demanda muita mão de obra e nós já temos mais de 30 milhões de pessoas empregadas na cadeia do agro", disse.
Na avaliação do presidente da Abramilho, sem uma análise aprofundada sobre o tema, o país corre o risco de ter inflação.
"Além de encarecer mais a produção, isso vai fazer com que o custo dessa produção, no prato dos brasileiros, fique mais caro", afirmou.
Jornada de trabalho
O governo Lula defende publicamente a redução da jornada máxima, das atuais 44 horas semanais previstas na Constituição, para 40 horas, com aplicação imediata.
Já as duas propostas de emenda à Constituição que servem de base para os trabalhos da comissão, de autoria dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Érika Hilton (PSOL-SP), preveem jornada de 36 horas semanais.
A proposta do petista estabelece um período de transição de dez anos, enquanto a da parlamentar do PSOL prevê implementação imediata.
* O repórter viajou a convite da Abramilho
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