Fim da taxa das blusinhas preocupa indústria calçadista, diz CFO da Grendene
O fim da isenção fiscal sobre compras internacionais de baixo valor, a chamada "taxa das blusinhas", deve agravar a pressão competitiva sobre a indústria calçadista brasileira. A avaliação é de Alceu Albuquerque, CFO da Grendene, um dos maiores fabricantes de calçados do país.
Para o executivo, o debate vai além da proteção setorial. "Mais do que uma discussão sobre proteção, eu vejo muito como uma busca por uma maior isonomia competitiva e equilíbrio tributário entre os produtos importados e aqueles fabricados aqui no Brasil", afirmou.
Albuquerque alertou que a medida tende a intensificar um movimento que já estava em curso. "A tendência é que o fim da taxa das blusinhas eleve ainda mais as importações de calçados, especialmente os chineses. Esse movimento a gente já vinha observando nos últimos meses, mesmo durante a vigência dessa taxa, em função da maior competitividade dos produtos asiáticos", disse. "A expansão dessas plataformas internacionais no Brasil foi bem agressiva e bem grande, mesmo com as taxas das blusinhas. Imagina sem essas taxas."
"Isso tende a prejudicar muito a indústria nacional, e dentro dela, a indústria de calçados está inserida nesse ambiente", ressaltou.
Apesar do cenário desafiador, Albuquerque reafirmou a estratégia da companhia. "Aqui na Grendene, nós seguimos olhando o tema no longo prazo. O nosso foco continua sendo ser cada vez mais competitivos, fortalecer as nossas marcas e investir em inovação e eficiência operacional", concluiu.
O contexto é de um primeiro trimestre difícil para a dona das marcas Melissa, Ipanema e Rider. A companhia encerrou o período com lucro líquido de R$ 102,1 milhões, queda de 9,9% na comparação anual, enquanto a receita líquida recuou 5,3%, para R$ 533,8 milhões. A empresa vendeu mais pares, porem a preços menores.
A pressão dos produtos asiáticos, inclusive identificada pela própria Grendene em visitas ao comércio popular do Brás, em São Paulo, e o enfraquecimento do poder de compra das famílias foram os principais vetores do resultado abaixo do esperado.
Para os próximos trimestres, a Grendene ainda projeta leve crescimento de receita, volume e margens, mas em ritmo inferior ao planejado originalmente.
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