Fim do conflito no Oriente Médio reduz pressão no Fed para subir juros, diz UBS
A pressão sobre o Federal Reserve para elevar os juros nos Estados Unidos neste ano arrefeceu após o acordo entre Washington e Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz, derrubando os preços do petróleo e provocando uma alta nos títulos do Tesouro americano. A avaliação é de Leslie Falconio, estrategista-chefe de renda fixa tributável do UBS Global Wealth Management.
"O que está acontecendo agora é que os preços do petróleo estão caindo e o mercado está retirando as apostas em alta de juros. Por causa disso, o rendimento dos Treasuries de dois anos está recuando", disse Falconio em entrevista à Bloomberg Television nesta segunda-feira, 15.
Mercado retirava precificação de alta desde a semana passada
Ao longo da semana passada, os investidores chegaram a precificar uma probabilidade de quase 100% de elevação de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds até dezembro de 2026, movimento que refletia a escalada do petróleo e o risco renovado de inflação. Com o acordo anunciado nesta segunda-feira, essa probabilidade caiu para cerca de 74%, à medida que os Treasuries se valorizaram, liderados pelos vencimentos mais curtos.
Ações e títulos subiram globalmente enquanto o petróleo despencava para a mínima em três meses, após EUA e Irã anunciarem o fim do conflito e a reabertura do estreito estratégico para o tráfego marítimo.
Primeira reunião de Warsh no comando do Fed
O cenário ocorre na semana em que Kevin Warsh presidirá sua primeira decisão de política monetária à frente do Fed. Existe uma pressão crescente dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) por parte de membros favoráveis a elevar os juros, diante da alta do petróleo que ameaçava reacender a inflação.
Falconio avalia que o FOMC deve formalizar nesta reunião a remoção do viés de afrouxamento monetário — um sinal mais hawkish —, mas sustenta que o próximo movimento efetivo ainda será de corte de juros, previsto apenas para 2027.
"Acho que eles vão simplesmente sentar, exercer a opcionalidade que têm e esperar os dados chegarem antes de mudar de posição, provavelmente no primeiro ou segundo trimestre de 2027", afirmou a estrategista.
Fed deve aguardar dados do mercado de trabalho
Segundo Falconio, a manutenção dos juros ao longo de 2026 permitirá ao Fed avaliar como a economia, que ainda apresenta crescimento "razoável", se comportará diante da evolução do mercado de trabalho americano. A avaliação sugere que o banco central americano prioriza cautela antes de sinalizar qualquer mudança de direção na política monetária.
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