Financiamento de veículos tem melhor janeiro em quase 20 anos
O mercado de crédito para veículos começou 2026 em ritmo forte, mas sem pressão relevante sobre os preços.
Em janeiro, foram financiadas 616 mil unidades entre automóveis leves, motos e veículos pesados no Brasil, segundo levantamento da Trillia, linha de dados da B3. Trata-se do melhor resultado para o mês desde 2008, com crescimento de 9,2% na comparação com janeiro do ano passado.
Os seminovos continuam puxando o volume total: foram 412 mil unidades financiadas no mês, alta de 8,8% em relação a janeiro de 2025. Já os veículos novos somaram 204 mil financiamentos, avanço de 10,1% no mesmo período.
De acordo com Daniel Takatohi, superintendente de Produtos de Financiamento da Trillia, o desempenho reflete a consolidação da retomada do setor automotivo. “O Sistema Nacional de Gravames desempenha papel central ao mitigar riscos de fraude e tornar mais eficiente a análise e a aprovação do crédito para o consumidor”, afirma
Quando se observa por categoria, os financiamentos de automóveis leves cresceram 8,7% na base anual. Entre os modelos novos, o aumento foi de 13,4%, enquanto os seminovos avançaram 7,6%.
No segmento de motos, a expansão foi ainda mais intensa: alta de 21,9% no total, com crescimento de 23,5% para motocicletas novas e de 18% para usadas. Já no mercado de pesados, houve recuo de 3,2%, impactado pela queda de 25,1% nos modelos zero quilômetro, apesar do avanço de 10,9% nos usados.
Preços seguem estáveis
Apesar do aumento no volume de crédito, os preços permaneceram relativamente estáveis no início do ano.
Segundo a Tabela Auto B3 — ferramenta de precificação desenvolvida pela B3 em parceria com a Bright Consulting e que utiliza inteligência artificial para estimar valores mais próximos dos praticados no mercado — os veículos usados mantiveram estabilidade em janeiro.
Em comparação com dezembro, alguns modelos ainda registraram queda, e no acumulado de 12 meses a maioria dos segmentos segue em retração, com destaque para SUVs e picapes compactas, que lideram a desvalorização.
Entre os veículos novos, o comportamento foi semelhante. Os preços oscilaram pouco no mês, com leves altas em alguns segmentos e quedas em outros. Na comparação com dezembro, o movimento de redução perdeu intensidade, sinalizando um começo de ano mais equilibrado para o setor.
O resultado mostra que, mesmo com a aceleração do financiamento e o maior apetite por crédito, o mercado iniciou 2026 com preços mais comportados, sem repasses generalizados ou pressões relevantes nas tabelas.
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