Flávio Bolsonaro avança sobre evangélicos e acirra disputa com Caiado e Zema
O avanço de Flávio Bolsonaro (PL) sobre lideranças evangélicas nas últimas semanas intensificou a disputa com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) por um dos segmentos mais estratégicos da pré-campanha presidencial.
A movimentação inclui agendas em igrejas, articulação com pastores e encontros reservados, e passou a influenciar o posicionamento de outros nomes do campo da direita.
Com 26,9% da população brasileira declarada evangélica, segundo o último Censo, o grupo se consolidou como uma das principais bases eleitorais. O cenário, no entanto, é marcado por tensões internas no PL e por uma disputa crescente por apoio religioso.
Nas últimas semanas, Flávio enfrentou dificuldades na interlocução com líderes evangélicos após o descumprimento de um acordo político relacionado à indicação ao Senado em São Paulo.
Segundo relatos, o entendimento envolvia a escolha de um nome ligado às igrejas, como Marco Feliciano ou Cezinha de Madureira, ambos do PL.
A vaga acabou sendo disputada por diferentes alas do partido, com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, defendendo o nome de André do Prado, enquanto Eduardo Bolsonaro atua por aliados como Mário Frias.
O impasse esvaziou o espaço negociado com o segmento evangélico e gerou reação pública.
Durante visita à Assembleia de Deus Ministério do Belém, Feliciano cobrou reciprocidade de Flávio e criticou a relação com o grupo. Nos bastidores, lideranças apontam acúmulo de frustrações, incluindo a disputa ao Senado em 2022.
O desgaste abriu espaço para a entrada de Caiado na disputa por apoio religioso. Sem presença consolidada no segmento, o ex-governador de Goiás passou a intensificar a aproximação com líderes evangélicos e oferecer espaço político.
Um dos movimentos envolveu o apoio do bispo Samuel Ferreira, ligado à Assembleia de Deus Ministério Madureira, após articulações locais que incluíram a indicação do senador Vanderlan Cardoso na chapa de Daniel Vilela.
Aliados avaliam que o episódio pode impactar a capacidade de mobilização de Flávio, especialmente em São Paulo, embora integrantes do PL afirmem que o diálogo com lideranças segue ativo.
Estratégia mira grandes denominações
Apesar do ruído, Flávio mantém uma estratégia estruturada de aproximação com igrejas, inspirada na articulação feita por Jair Bolsonaro em 2018. A coordenação está sob responsabilidade do deputado Sóstenes Cavalcante, que organiza o acesso às denominações.
A campanha estabeleceu prioridades com base no tamanho e na capacidade de mobilização das igrejas. Após agendas com a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), considerada a maior do país, o foco se expandiu para outras denominações, como igrejas Quadrangular, batistas e a Congregação Cristã no Brasil.
A aproximação com a Assembleia de Deus Ministério Madureira é tratada como etapa central, enquanto a ida de Flávio à igreja do pastor Silas Malafaia, prevista para maio, é vista como um movimento relevante para consolidar apoio.
Parte importante do segmento ainda está fora do alcance direto da campanha, como a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo. A denominação adota uma estratégia de cautela e tende a aguardar maior definição do cenário antes de se posicionar.
A aproximação também enfrenta entraves históricos, como a rivalidade entre correntes religiosas, o que adiciona complexidade à disputa.
Enquanto Flávio e Caiado intensificam movimentos, Zema mantém postura mais contida. O governador de Minas Gerais tem feito agendas pontuais, como participação em evento da Sara Nossa Terra, mas evita colocar o segmento religioso no centro da pré-campanha.
O bispo Robson Rodovalho sinalizou abertura para diálogo com diferentes pré-candidatos, indicando que o apoio do segmento ainda está em disputa.
*Com O Globo
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