Flávio Bolsonaro cai após áudio com Vorcaro e Lula lidera ranking de redes sociais

Por André Martins 6 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Flávio Bolsonaro cai após áudio com Vorcaro e Lula lidera ranking de redes sociais

A divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro provocou uma mudança inédita no ambiente digital dos presidenciáveis monitorados pela Datrix.

Pela primeira vez desde dezembro, Flávio perdeu a liderança do Índice Datrix de Presidenciáveis (IDP), ranking que mede a performance digital de pré-candidatos ao Palácio do Planalto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu o primeiro lugar do ranking.

O levantamento também mostrou retração para Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), enquanto Ronaldo Caiado (PSD) apresentou a menor oscilação do grupo.

Segundo João Paulo Castro, cofundador e CEO da Datrix, a mudança no topo do ranking não foi resultado de uma virada significativa de Lula, mas do impacto da crise que atingiu Flávio Bolsonaro.

"Ninguém melhorou. O Lula ficou parado. O Lula teve um comportamento muito semelhante ao dos últimos meses. O Flávio e o Zema é que achataram", afirmou em conversa com a EXAME.

O IDP acompanha mensalmente o desempenho digital de possíveis candidatos à Presidência da República a partir de quatro critérios: desempenho nas redes próprias, repercussão e menções de apoiadores, imprensa, influenciadores e lideranças políticas, tonalidade das menções e interesse de busca dos usuários em plataformas digitais. O estudo monitora os movimentos dos presidenciáveis há cerca de 18 meses.

De acordo com a Datrix, o episódio provocou uma inversão no chamado "mar aberto" — indicador que mede a percepção fora das redes controladas pelo próprio político. A pontuação de Flávio passou de positiva para negativa ao longo do mês, enquanto o volume de menções quase dobrou.

"O caso alterou o comportamento das redes sobre o Flávio Bolsonaro. Pela primeira vez, aquilo que ele herdou do legado digital do pai se reverteu. Houve uma quantidade muito grande de pessoas falando sobre ele, mas de forma negativa", disse Castro.

Embora tenha recuperado parte do terreno perdido no fim do mês, após agenda nos Estados Unidos e encontro com o presidente Donald Trump, o movimento foi insuficiente para compensar o desgaste acumulado.

A pontuação diária voltou a subir nos últimos dias de maio, mas o candidato terminou o período abaixo de Lula pela primeira vez desde sua entrada no monitoramento.

O relatório aponta ainda que os efeitos da crise se espalharam pelo campo da direita. Romeu Zema, que havia se destacado em abril após embates com o Supremo Tribunal Federal (STF), registrou a maior queda percentual do ranking, com recuo de 42%, passando de 21,13 para 12,19 pontos.

Segundo Castro, o ex-governador mineiro foi penalizado por ter sido o primeiro nome do campo conservador a criticar publicamente Flávio Bolsonaro.

"Quando ele atacou o rival, acabou recebendo muitos ataques da própria base bolsonarista", afirmou.

Renan Santos também foi impactado. Apesar de ter ampliado significativamente sua visibilidade durante o episódio, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) viu a qualidade das interações cair. O volume de menções cresceu, mas o engajamento de sua base recuou.

"O Renan conseguiu aparecer mais quando criticou o Flávio, mas parte da base não acompanhou esse movimento. Ele ganhou exposição, mas perdeu qualidade de engajamento", disse o CEO da Datrix.

Entre os nomes monitorados, Ronaldo Caiado foi o que apresentou maior estabilidade. O governador de Goiás terminou maio com 11,63 pontos e registrou a menor variação do grupo.

Para Castro, a postura cautelosa diante da crise ajudou a preservar seu capital digital, embora ainda exista o desafio de ampliar alcance e volume de menções.

No caso de Lula, a avaliação da Datrix é que a liderança foi favorecida por um cenário externo mais positivo. A recuperação da aprovação do governo nas pesquisas, o encontro com Trump na Casa Branca e anúncios de programas federais contribuíram para melhorar o ambiente digital do presidente.

Mesmo assim, Castro avalia que o desempenho do petista permaneceu próximo ao registrado nos meses anteriores.

"O Lula fez um gol jogando parado. Se você está ganhando sem gerar desgaste, escolha com mais cuidado os temas em que vai entrar", afirmou.

Próximos meses

Na avaliação do CEO da Datrix, junho tende a ser marcado por uma nova fase da disputa digital. Se em maio o centro das discussões foi o caso Vorcaro, agora os candidatos precisarão decidir como explorar temas novos sem criar oportunidades para os adversários.

O governo tenta colar em Flávio a responsabilidade de possíveis novas tarifas aos produtos brasileiros. Após a visita do senador do PL a Washington, a gestão Trump anunciou que pode aplicar tarifas de 25% ao Brasil e também acusou o país de trabalho forçado e ameaçou outra tarifa de 12,5%.

Para Castro, Lula aparece mais confortável nesse cenário. Segundo o especialista, o presidente chega ao período pré-eleitoral com indicadores favoráveis e maior liberdade para escolher quais pautas pretende explorar. O possível tarifaço é um desses testes.

"Ele pode arriscar menos. As tendências estão mais claras para ele do que para os demais candidatos", disse.

O pesquisador avalia que o presidente tenta transformar a discussão das tarifas em um tema politicamente desfavorável para Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a reação da base bolsonarista ao episódio será um dos elementos que indicarão se a recuperação observada no fim de maio terá continuidade ou se o caso Vorcaro seguirá pesando sobre a reputação digital do senador.

Para os demais nomes da direita, o desafio permanece semelhante ao observado no ranking de maio: encontrar temas capazes de ampliar alcance e engajamento sem provocar rejeição dentro do próprio eleitorado conservador.

Segundo o CEO da Datrix, esse equilíbrio será determinante para definir quem conseguirá aproveitar a reorganização do campo digital nos próximos meses.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: