Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência no Brasil, se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, na tarde desta terça-feira, 26.
Flávio posou para uma foto com Trump na Casa Branca, ao lado do presidente, no Salão Oval. Além disso, outra imagem mostra os dois também com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. As fotos foram divulgadas pela campanha de Flávio.
Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações sobre o teor da conversa.
A visita de Flávio ocorre 19 dias depois que o presidente Lula se reuniu com Trump, em 7 de maio. Na ocasião, os dois se reuniram por mais de três horas e almoçaram.
O senador enfrenta uma crise nas últimas semanas após as revelações de sua relação próxima com Daniel Vorcaro e dos R$ 61 milhões que o banqueiro destinou à produção do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro.
Como foi o encontro entre Lula e Trump
Realizado em 7 de maio, o último encontro entre Trump e Lula foi classificado como visita de trabalho. Após a reunião daquele dia, o presidente americano disse que Lula era "muito dinâmico".
"Acabei minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", disse Trump, em postagem na rede Truth Social.
Lula também fez elogios ao republicano e disse que os dois países avançaram nas conversas em várias áreas, como cooperação em segurança e terras raras. O petista também afirmou, na época, acreditar que Trump não tentaria interferir nas eleições brasileiras, marcadas para outubro.
"Eu não acredito que ele vai ter qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque que voto é o povo brasileiro. Eu acho que ele vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino", afirmou o presidente após aquele encontro.
Relações entre Bolsonaro e Trump
No ano passado, Brasil e Estados Unidos viveram seu pior momento na relação diplomática na história. Em julho, o governo Trump anunciou uma tarifa de importação de 50% a produtos brasileiros, além de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
As medidas tinham como objetivo pressionar o Brasil a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
As ações vieram após uma campanha feita nos EUA pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que buscou punições ao Brasil sob argumento de que seu pai seria perseguido pela Justiça brasileira.
O impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Após a conversa, os dois disseram que houve uma "química" entre eles.
Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e uma sinalização de normalização das relações. Os dois presidentes tiveram uma reunião presencial em outubro, na Malásia, que transcorreu bem. Na época, o governo americano recuou de mais medidas contra o Brasil.
Tarifas ainda em vigor
Após o encontro de maio, os dois países prometeram criar grupos de trabalho para lidar com questões pendentes, especialmente as tarifas comerciais.
Segundo cálculos da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), cerca de 45% das exportações brasileiras não têm sobretaxa. Cerca de 15% estão sujeitos às tarifas da Seção 232 (segurança nacional), como aço, alumínio, autopeças, cobre e alguns setores específicos.
O restante tem sobretaxa de 10% com base na Seção 122, medida adotada por Trump após a Suprema Corte derrubar as taxas adotadas por meio da regra Ieepa. A medida, no entanto, tem duração apenas de alguns meses.
Além disso, os Estados Unidos poderão impor mais tarifas ao Brasil por meio da lei chamada de Seção 301. Em julho do ano passado, uma investigação, baseada nessa lei, foi aberta pelo governo americano para analisar possíveis práticas desleais do Brasil no comércio com os EUA, em diversas áreas, como propriedade intelectual, sistema bancário (em especial o Pix) e produtos agrícolas, como carne e etanol.
Caso a investigação considere que o Brasil criou barreiras abusivas, os EUA poderão impor novas tarifas ao país. A expectativa de analistas que acompanham o tema é que uma decisão deva sair até julho.
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