Flávio Bolsonaro trata decisão dos EUA sobre PCC e CV como vitória política

Por Estela Marconi 29 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Flávio Bolsonaro trata decisão dos EUA sobre PCC e CV como vitória política

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou nesta quinta-feira, 28, a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e tratou a medida como uma vitória política da viagem feita nesta semana a Washington.

A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado americano dois dias após o encontro de Flávio com o presidente Donald Trump na Casa Branca. O senador também se reuniu com o secretário de Estado Marco Rubio.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio elevou o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que sua viagem aos Estados Unidos foi mais efetiva do que os governos petistas no enfrentamento ao crime organizado.

"Em uma viagem como presidenciável, fizemos mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e Lula em seus 17 anos de mandato. Enquanto Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor do PCC e CV, eu fui trabalhar para que fossem tratados como terroristas", declarou.

O senador também agradeceu diretamente a Trump e Rubio pela medida e afirmou que o combate às facções será uma das prioridades de sua campanha presidencial.

"Um governo que não tem controle sobre seu próprio território é porque é conivente com o crime organizado. Agradeço a Trump e Rubio por atenderem rapidamente o meu pedido. Agora é com a gente, aqui no Brasil. E a partir de 2027 vamos libertar você", afirmou.

O Departamento de Estado informou nesta quinta-feira que designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e anunciou que pretende enquadrar os dois grupos também como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A classificação entra em vigor em 5 de junho.

Segundo o governo americano, as facções brasileiras estão entre as organizações criminosas mais violentas em atuação no país e possuem redes que ultrapassam as fronteiras brasileiras.

“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil”, afirmou o Departamento de Estado em nota.

O comunicado acrescenta que o governo Trump continuará utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para combater organizações ligadas ao narcotráfico e interromper fluxos financeiros associados a grupos classificados como terroristas.

Flávio disse ter pedido medida diretamente a Trump

Durante entrevista concedida após o encontro com Trump na Casa Branca, Flávio afirmou que havia solicitado pessoalmente ao presidente americano que os Estados Unidos classificassem PCC e CV como organizações terroristas.

"Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficante, eu vim fazer exatamente o oposto: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras", disse o senador.

Segundo relatos de aliados, o tema vinha sendo tratado como prioridade desde a preparação da agenda da viagem em Washington. Interlocutores próximos afirmam que o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo atuavam havia meses junto a integrantes do entorno republicano e do Departamento de Estado para defender a medida.

Nos bastidores do PL, o anúncio foi interpretado como um marco político da viagem e como demonstração do alinhamento do bolsonarismo com o trumpismo. Auxiliares de Flávio avaliam que a decisão fortalece seu discurso de segurança pública e reforça sua interlocução internacional dentro da direita brasileira.

Especialistas apontam que a classificação pode ampliar restrições financeiras e migratórias ligadas às facções e aumentar o risco jurídico para empresas que operam em áreas sob influência desses grupos. A medida também permite ao governo americano bloquear ativos e restringir qualquer apoio financeiro ou material às organizações enquadradas.

*Com O Globo

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