Fluxo estrangeiro na bolsa ultrapassa R$ 31 bilhões no ano
A Bolsa brasileira vive um rali que tem um protagonista claro: o investidor estrangeiro. Desde o início de fevereiro, entraram R$ 4,7 bilhões em capital externo, elevando para R$ 31,2 bilhões o saldo acumulado em 2026, de acordo com dados da B3 computados até o dia 10 de fevereiro.
O volume anual já supera com folga todo o fluxo registrado em 2025, que foi de R$ 25,4 bilhões.
Esse movimento ajuda a explicar a forte valorização do principal índice da Bolsa de São Paulo, o Ibovespa, que acumula alta de mais 18% nos primeiros 42 dias do ano. Já foram 11 recordes em 2026, sendo dois apenas em 10 dias fevereiro. Para efeito de comparação, em todo o ano passado o índice renovou suas máximas históricas em 32 ocasiões.
O que explica esse fluxo estrangeiro?
O principal atrativo, segundo analistas, ainda é o valuation. Apesar do rali recente, a Bolsa negocia a 10,5 vezes o lucro (P/L), patamar que representa retorno à média histórica e segue baixo em comparação internacional.
"Principalmente quando comparado ao mercado americano, onde os múltiplos seguem acima de 20x, ou ao MSCI Emerging Markets, com P/L próximo de 14x", afirmou à EXAME, Victor Penna, head de research do BB-BI.
Além do desconto relativo, o cenário global também favorece os emergentes. De acordo com Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação, o enfraquecimento global do dólar — em meio a questões geopolíticas nos Estados Unidos — tem estimulado a migração de capital para esses mercados.
O resultado aparece no desempenho em moeda americana: o Brasil sobe cerca de 20% em dólar no ano, enquanto o Chile avança 12%, o Peru 35%, a Colômbia 20% e a Coreia do Sul quase 30%.
A liquidez elevada e as oportunidades de diversificação no universo emergente — especialmente em setores como bancos e commodities — também ajudam a atrair recursos para o país, mesmo na ausência de fatores domésticos significativamente positivos.
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