Fluxo gringo na B3 tem melhor março em quatro anos, apesar da Guerra
O fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira continuou positivo em março e surpreendeu o mercado diante de um ambiente de elevada volatilidade global com a eclosão da guerra no Irã.
Segundo dados da B3, os investidores internacionais aportaram R$ 11,9 bilhões no mês, maior volume para um mês de março desde 2022, quando o fluxo foi de R$ 21,4 bilhões.
Os gringos responderam por 62,1% de todo o volume negociado na bolsa em março. Os dados da B3 mostram, contudo, que, embora os investidores internacionais tenham mantido aportes líquidos no país, o ritmo desacelerou de forma consistente ao longo dos últimos meses. Em janeiro, o saldo positivo foi de R$ 26,4 bilhões, enquanto fevereiro somou R$ 15,3 bilhões.
Ainda assim, no acumulado de 2026, o saldo líquido já atinge R$ 53,8 bilhões, a melhor marca de capital externo também desde 2022, quando o primeiro trimestre do ano somou R$ 65,3 bilhões em recursos estrangeiros.
Interesse estrangeiro pelo Brasil 'permanece inabalável'
O desempenho chama atenção por ter ocorrido em um cenário adverso. O mês passado foi marcado por forte volatilidade nos mercados globais, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Ainda assim, o Brasil apresentou resiliência relativa.
Segundo análise do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), o mercado brasileiro teve desempenho superior a pares internacionais. Enquanto o S&P 500, nos Estados Unidos, caiu cerca de 5% no mês e os mercados emergentes recuaram mais de 2%, o Ibovespa registrou leve queda de 0,7% em reais e ficou praticamente estável em dólares.
Para o banco, esse movimento reforça que o interesse estrangeiro pelo Brasil "permanece inabalável", mesmo em momentos de maior aversão ao risco. A instituição destaca que, mesmo com saídas pontuais de fundos globais de mercados emergentes (GEM), o fluxo para ações brasileiras continuou positivo, sustentando a entrada líquida de capital no período.
Outro fator apontado é o diferencial de desempenho do mercado brasileiro no acumulado do ano. Em dólares, as ações locais sobem 23% em 2026, superando com folga o desempenho negativo de índices globais.
Esse cenário, aliado a uma avaliação considerada mais atrativa, com o Ibovespa negociando a múltiplos abaixo da média histórica, ajuda a explicar a continuidade do fluxo estrangeiro.
Investidor local segue em direção oposta
Enquanto isso, o investidor local seguiu na direção oposta. De acordo com o BTG, instituições domésticas foram vendedoras líquidas tanto em março quanto no acumulado do ano, refletindo um ambiente ainda desafiador para a alocação em renda variável no Brasil, especialmente diante do nível elevado das taxas de juros.
"Os investidores institucionais locais foram os principais vendedores neste mês (venda líquida de R$ 8,2 bilhões) e no acumulado do ano (-R$ 38,5 bilhões)", disse o banco.
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