Fóssil de 230 milhões de anos de réptil com 'bico de papagaio' é encontrado no RS

Por Maria Eduarda Lameza 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fóssil de 230 milhões de anos de réptil com 'bico de papagaio' é encontrado no RS

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram uma nova espécie de réptil com cerca de 230 milhões de anos no Rio Grande do Sul.

O animal foi denominado Isodapedon varzealis e descrito na revista Royal Society Open Science com base em um crânio fossilizado encontrado em 2020, no município de Agudo. A espécie pertence ao grupo dos Rincossauros, répteis herbívoros que viveram durante o período Triássico.

A pesquisa foi liderada pelo paleontólogo Rodrigo Temp Muller e pela mestranda Jeung Hee Schiefelbein.

O Isodapedon varzealis era um animal quadrúpede, com comprimento estimado entre 1,2 e 1,5 metro. A característica mais marcante é que o crânio apresenta um bico pontiagudo semelhante ao de um papagaio, estrutura associada ao corte de plantas e à escavação de raízes.

A preparação do fóssil exigiu mais de seis meses de trabalho e os dentes preservados foram essenciais para a identificação da espécie.

Por que o sul do Brasil é tão importante para a paleontologia mundial?

Os paleontólogos estimam que o animal tenha existido durante o período conhecido como Triássico brasileiro, considerado um dos mais importantes da paleontologia mundial. Esse momento histórico concentra no Rio Grande do Sul, especialmente nas Formações de Sanga do Cabral e de Santa Maria, fósseis de alguns dos primeiros dinossauros do mundo, como Saturnalia, Gnathovorax e Staurikosaurus, além de Cinodontes, Rincossauros e o início dos Pterossauros.

A descoberta eleva para seis o número de espécies de Rincossauros registradas no Triássico brasileiro. O fóssil foi encontrado em camadas rochosas que já continham outras três espécies do mesmo grupo. Isso sugere para os cientistas que os Rincossauros atingiram um pico de diversidade no mesmo período em que surgiam os primeiros dinossauros.

Conexão entre continentes

Análises de parentesco realizadas na UFSM indicaram semelhanças entre a espécie brasileira e um Rincossauro da mesma idade encontrado na Escócia.

Os pesquisadores associam essa relação à existência da Pangeia, um supercontinente que unia as massas terrestres há cerca de 230 milhões de anos. Naquele momento, os animais podiam se deslocar sem barreiras oceânicas.

Por isso, fósseis de Rincossauros são utilizados pelos cientistas como marcadores de tempo geológico, auxiliando na datação de formações rochosas.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: