Fóssil de 250 milhões de anos revela que ancestrais dos mamíferos botavam ovos
Pesquisadores encontraram a primeira evidência de que ancestrais dos mamíferos botavam ovos. O fóssil, descoberto na África do Sul, pertence a um embrião enrolado de Lystrosaurus, animal que viveu há cerca de 250 milhões de anos e sobreviveu à maior extinção em massa da história da Terra.
O estudo foi publicado na revista PLOS One e conduzido por uma equipe liderada por Julien Benoit, professor associado do Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand.
A descoberta do embrião estava em um ovo
Os pesquisadores analisaram o fóssil com tomografia computadorizada de alta resolução e um síncrotron, equipamento capaz de produzir raios X extremamente intensos. As imagens revelaram que as mandíbulas do embrião não estavam completamente fundidas.
Segundo Benoit, essa característica só aparece em embriões de aves e tartarugas modernas, o que indica que o animal ainda estava dentro de um ovo quando morreu. Trata-se da primeira evidência direta que permite afirmar que ancestrais dos mamíferos como o Lystrosaurus se reproduziam dessa forma.
Os ovos, de acordo com os pesquisadores, tinham casca macia e coriácea — já que estruturas rígidas só surgiram pelo menos 50 milhões de anos depois.
Por que o Lystrosaurus sobreviveu à Grande Extinção
O fóssil também ajuda a explicar a sobrevivência do Lystrosaurus à chamada Grande Extinção do Permiano, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos, quando aproximadamente 90% das espécies desapareceram em um cenário de calor extremo e aridez.
Adaptado a ambientes secos, o animal provavelmente buscava alimento em leitos de rios e cavava tocas para resistir a longos períodos de seca. A reprodução por ovos grandes pode ter sido uma vantagem decisiva nesse contexto. Isso porque ovos maiores perdem menos água e permitem o desenvolvimento de filhotes mais formados ao nascer. Com isso, os jovens já tinham maior autonomia para se alimentar, fugir de predadores e atingir a maturidade rapidamente.
O que o fóssil revela sobre a origem do leite
A descoberta também traz novas pistas sobre a evolução da lactação. Segundo Benoit, a capacidade de produzir leite provavelmente surgiu entre o início e o final do período Triássico, após a extinção em massa.
Uma das hipóteses reforçadas pelo estudo é que a lactação pode ter surgido inicialmente não para alimentar os filhotes, mas para manter os ovos úmidos e protegidos. Só depois esse mecanismo teria evoluído para a nutrição da prole.
Os pesquisadores pretendem aprofundar os estudos sobre a evolução da lactação e da viviparidade — o desenvolvimento do embrião dentro do corpo da mãe. Essas características são fundamentais para os mamíferos modernos, mas ainda não se sabe exatamente quando e como surgiram.
Para o paleontólogo Steve Brusatte, que não participou do estudo, o fóssil representa uma evidência concreta de que alguns dos ancestrais mais próximos dos mamíferos ainda se reproduziam como répteis, botando ovos. A gestação interna e a amamentação surgiriam apenas mais tarde — e seriam essenciais para o sucesso evolutivo do grupo.
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