Fundo de investidoras aporta R$ 5 milhões em startup de cobrança inteligente
O Brasil vive um boom de oferta de crédito, com bancos, fintechs e até varejistas disputando espaço para emprestar dinheiro. Mas essa expansão trouxe um problema inevitável: o aumento da inadimplência e a dificuldade de recuperar esses valores.
É nesse ponto que atua a hiSofi, fintech de São Paulo que acaba de levantar R$ 5 milhões em uma rodada seed (fase inicial de investimentos em startups) com participação dos fundos Sororitê, SaaSholic e outros investidores. A empresa quer transformar a cobrança, tradicionalmente tratada como um processo operacional, em decisão estratégica orientada por dados.
“Cada vez mais, a população que mais cresce são as pessoas endividadas. E como lidar com isso dentro desse mercado?”, afirma Tatiana Pomar, CEO e fundadora da hiSofi.
Hoje, a empresa tem mais de 30 funcionários, atua em oito países da América Latina e atende grandes empresas. Com o novo aporte, quer evoluir a tecnologia e ampliar o alcance para médias companhias.
Como é a atuação da hiSofi
Fundada em 2021, a hiSofi nasceu da experiência de mais de 30 anos de Tatiana no mercado de crédito. A proposta é reorganizar toda a jornada de cobrança, que vai muito além de simplesmente recuperar dívidas. Na prática, a fintech auxilia empresas a decidir quando, como e por qual canal abordar cada cliente, aumentando as chances de pagamento e melhorando a relação com o consumidor.
“Quando eu falo cobrança, não é só inadimplência. É todo o processo, que parece simples, mas envolve várias etapas”, diz a executiva.
A hiSofi opera no modelo white label — ou seja, sua tecnologia aparece integrada à marca dos clientes e utiliza inteligência artificial em toda a operação. A plataforma organiza canais como WhatsApp, SMS e e-mail e usa agentes de IA para negociar dívidas, enviar ofertas e sugerir formas de pagamento, como Pix.
Além disso, algoritmos analisam dados para estimar risco de inadimplência e propensão de pagamento, permitindo personalizar as abordagens.
“A gente nasceu com IA no DNA. Cada interação ensina o sistema a tomar decisões com maior probabilidade de sucesso”, afirma Pomar.
Tatiana Pomar, fundadora da hiSofi: empresa usa inteligência artificial para melhorar recuperação de crédito (hiSofi/Divulgação)
Fundo que investe em startup de mulheres
O investimento reforça a tese do Sororitê, fundo que aposta em startups com pelo menos uma mulher no time fundador — especialmente nos estágios iniciais, quando captar recursos é mais difícil. Do aporte levantado pela hiSofi, mais de R$ 1 milhão veio da Sororitê.
“Nosso primeiro filtro é investir em startups que tenham pelo menos uma mulher no founding team. É onde os vieses mais impactam”, diz Erica Fridman, General Partner do fundo.
Segundo a executiva, apenas 2% dos aportes no Brasil envolvem mulheres fundadoras, e menos de 0,04% do capital vai para empresas lideradas exclusivamente por elas. Para Erica, isso tem relação direta com quem toma decisões de investimento.
“A gente acredita que a falta de mulheres fazendo a alocação também gera falta de alocação para mulheres”, afirma.
Uma parceria que não vem de hoje
A relação entre Sororitê e hiSofi começou antes da rodada. O fundo acompanha a empresa desde 2022, quando ainda operava como uma rede de investidoras-anjo, ajudando na construção do negócio e na conexão com outros players do mercado. Esse apoio inclui networking e acesso a outros investidores, como no caso da SaaSholic, que também entrou na rodada após conexões geradas dentro da rede.
“Esse investimento é consequência de um relacionamento construído ao longo do tempo. Vai muito além do dinheiro”, diz Erica.
Para o Sororitê, a aposta na hiSofi também reflete uma oportunidade estrutural. O mercado de crédito evoluiu rapidamente, mas a cobrança ainda carece de tecnologia e inteligência.
“Está todo mundo oferecendo crédito. Mas quem vai cobrar tudo isso? Quem vai renegociar e recuperar esse dinheiro?”, questiona Erica.
Nesse cenário, a hiSofi quer se posicionar como uma camada de inteligência por trás dessas decisões, ajudando empresas a recuperar receita sem deteriorar a relação com o cliente.
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