Furtos no Carnaval: travar os investimentos, é uma boa estratégia?
Para os foliões de plantão, cuidar do celular no Carnaval é tão importante quanto a fantasia e o glitter. Isso porque o aparelho, hoje em dia, não é só um telefone e, sim, um lugar aonde boa parte da vida financeira está concentrada.
Nessa época do ano, infelizmente, muitos furtos e golpes acontecem. Estar preparado para proteger suas finanças é fundamental para que o momento de alegria e festa não se torne um prejuízo depois.
“O perigo não é apenas perder o celular, mas sim o acesso aos aplicativos. Quadrilhas podem aproveitar o momento em que você está gravando um story no bloquinho, com o celular desbloqueado, para agir”, diz Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos.
Caso o celular seja furtado, os ladrões podem, sim, acessar os aplicativos. Mas, segundo Fernando Zamai, líder de cibersegurança da Cisco, isso depende do nível de proteção do aparelho e dos aplicativos financeiros.
“Se o celular estiver desbloqueado, sem biometria ativa nos apps ou com senhas salvas automaticamente, é possível que o criminoso consiga acessar investimentos, realizar resgates, vender ativos e transferir recursos, especialmente em operações mais simples e imediatas”, diz.
Ainda segundo Zamai, mesmo quando o aparelho está bloqueado, é comum que criminosos utilizem engenharia social, enviando SMS ou mensagens falsas informando que o celular foi encontrado, como forma de induzir a vítima a clicar em links ou fornecer senhas.
Além disso, Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, destaca que o risco não é apenas ver sumir o saldo em conta ou investimentos; abrange também o acesso a limites de crédito. Em alguns aplicativos, o criminoso consegue contratar empréstimos pré-aprovados instantâneos – mais um motivo para redobrar a atenção.
“Travar” o dinheiro é uma boa estratégia?
Nesse momento, colocar os recursos em um investimento, como um CDB de resgate mais a frente, pode ser uma boa opção? “Travar” os valores pode ser uma boa ideia.
“O criminoso precisa vender/resgatar o ativo para transformar ele em dinheiro líquido. Geralmente, quando se vende uma ação ou FII, o dinheiro leva dois dias para cair na conta”, comenta Patzlaff. Se for um CDB com prazo de 6 meses, por exemplo, isso não seria possível tão rápido.
“Investimentos com carência realmente criam uma camada extra de proteção, porque o dinheiro não fica disponível para resgate imediato. Em caso de golpe ou acesso indevido, isso pode evitar perdas maiores”, complementa Casagrande.
Entretanto, se o investidor coloca todo o dinheiro disponível em um CDB de 6 meses ou em uma LCI com vencimento alongada, só por causa do Carnaval, há o risco de precisar do dinheiro antes. “A melhor estratégia não é investir em algo sem liquidez, mas sim restringir o acesso a ele”, explica Patzlaff.
“Hoje, os investimentos estão totalmente digitalizados. Um celular comprometido pode representar acesso não apenas à conta bancária, mas também a ações, títulos públicos, fundos imobiliários e previdência, o que torna a segurança digital do investidor essencial, já que o prejuízo pode ser significativo”, diz Zamai.
O que fazer se for roubado?
Em caso de roubo ou furto, a vítima deve agir rápido. O primeiro passo é bloquear o celular por meio do iCloud, Google ou da operadora. Na sequência, avisar todos os bancos e corretoras em que a vítima tem conta e registrar um boletim de ocorrência.
Um recurso importante é o “Celular Seguro”, do Governo Federal, que permite bloquear o aparelho e os acessos de forma integrada, ajudando a reduzir o risco de golpes logo após o furto. Assim que notar o furto, a pessoa acessa o app por um computador ou outro celular de confiança e bloqueia tudo — de bancos a linha telefônica, de uma vez só.
“Isso é muito mais rápido do que ligar banco por banco e pode salvar a vítima de maiores perdas financeiras”, comenta Patzlaff.
“Sobre recuperar o dinheiro: vai depender da análise do caso. Se for identificada falha de segurança da instituição, pode haver devolução. Mas se ficar claro que houve negligência com senhas ou acessos, isso pode dificultar o processo”, diz Casagrande.
Também há o Mecanismo de Devolução Especial (MED), que acaba de ganhar a versão 2.0. Pelo próprio aplicativo, a pessoa consegue diretamente pelo aplicativo da instituição financeira reportar a fraude via Pix.
A devolução não é garantida, dependendo da análise bancária (até 15 dias) e da existência de saldo na conta do fraudador. Mas, caso seja constatado a fraude, o Banco Central irá rastrear e bloquear o dinheiro nas contas de destino.
Como proteger os investimentos?
Casagrande dá as dicas para se proteger:
Há outras estratégias para pular o carnaval tranquilo nos dias que for sair para bloquinhos ou se divertir na rua.
“Desinstale os apps de banco ou oculte e coloque senhas para abri-los. Existem automações que podem ser feitas no celular que também ajudam a proteger, por exemplo, ao abrir o aplicativo do banco automaticamente o celular bloqueia, ou colocar um tempo de uso nos apps, isso gera uma camada a mais de proteção”, conclui Patzlaff.
Alguns bancos, como o BTG e o Nubank, possuem sistemas de segurança como o “Modo Lugar Seguro” (BTG), que só consegue abrir o app do banco em um wi-fi que você cadastra como seguro, ou o “Modo Rua” (Nubank) que limita transferências e pagamentos de boletos quando o celular está fora de wi-fi confiável protegendo contra roubos.
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