Gastronomia e arquitetura: como é o Cena, novo restaurante do hotel Emiliano
Não é caso de repaginada, menos ainda de rebranding. O Cena acaba de ser inaugurado, onde antes funcionava o restaurante do Emiliano, que tinha o mesmo nome do hotel em São Paulo. O Cena acaba de ser inaugurado, com novo nome, nova cara, novo chef, novo cardápio.
O movimento marca também uma mudança de posicionamento do próprio hotel. A ideia do Emiliano é transformar o estabelcimento em um endereço da cidade, menos associado ao conceito tradicional de restaurante de hotel.
O Cena reforça sua proposta de cozinha autoral focada no produto. O restaurante foi concebido para integrar cozinha, arquitetura, serviço e salão numa experiência mais direta. A cozinha aberta é o centro do projeto. O preparo dos pratos acontece diante dos clientes, aproximando salão e equipe.
O projeto arquitetônico leva assinatura de Arthur Casas. O espaço integra salão e cozinha, transformando o preparo dos pratos em parte da experiência. Os uniformes foram desenhados por Lenny Niemeyer.
Entrada de anchovas com melão: para compartilhar (Cena/Divulgação)
Cozinha brasileira guiada pela sazonalidade
À frente da cozinha está o chef Vinícius Pires, recém-chegado após seis anos no Evvai e passagens por cozinhas no Brasil e na Europa. Em 2026, ele venceu a etapa nacional do Bocuse d’Or e representará o Brasil nas próximas fases da competição.
No Cena, Pires aposta numa cozinha brasileira contemporânea guiada pela sazonalidade e pelo produto.
Os pratos do almoço seguem uma linha mais leve. No cardápio estão a entrada de folhas com tangerina e queijo de cabra (R$ 67), o broccoli com hollandaise de alho negro (R$ 58) e o crudo de atum com avocado e ora-pro-nóbis (R$ 75). Experimentei o pescado com molho de moqueca e pupunha (R$ 149), delicado mas com personalidade. O peixe era pargo.
À noite, o cardápio ganha pratos como carne cruda com anchovas do Cantábrico e melão (R$ 118), coração de pato com castanha de caju e carambola (R$ 75) e pasta com mandioquinha, vieira e tucupi (R$ 198).
Os preços são bastante justos, para o padrão da hotelaria de luxo paulistana. A pasta alla vodka com tartare de camarões custa R$ 100. Já o porco duroc com feijão manteiguinha e caldo suã sai por R$ 90.
As sobremesas seguem a mesma linha da cozinha, com receitas como babá au cachaça e maracujá (R$ 58), entremet de leite com doce de leite e frangipane (R$ 62) e fruta fresca com sorbet e granola (R$ 48).
A carta de bebidas foi desenvolvida pelo sommelier Luís Otávio Álvares Cruz, eleito Melhor Sommelier do Brasil em 2023 e vencedor do XIV Concurso Brasileiro de Sommeliers. A seleção tem foco em champanhes e vinhos brasileiros.
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