Gerdau reduz pela metade pegada de carbono do aço e amplia aposta em energia limpa
O setor siderúrgico responde por até 9% das emissões globais. A Gerdau fez disso uma oportunidade de negócio: o aço produzido pela empresa gaúcha tem pegada de carbono reduzida pela metade em relação à média do setor, resultado de um processo produtivo construído e adequado ao longo de anos que começa a se converter em diferencial competitivo.
A base técnica está na rota elétrica: cerca de 70% do aço da Gerdau vem de sucata ferrosa processada em fornos elétricos. Paralelamente, a empresa avança na autoprodução de energia renovável. Hoje, 70% da eletricidade consumida em suas operações globais já vem de fontes limpas.
“A sustentabilidade se integra de forma transversal à gestão de pessoas, à segurança, ao desenvolvimento das comunidades e ao uso eficiente de recursos naturais”, diz Gustavo Werneck, CEO da companhia.
Em abril deste ano, a Gerdau anunciou a NewEco, linha de aço com pegada de carbono auditada por terceiros, voltada para clientes dos setores automotivo e de construção. Mais do que um produto, a linha reposiciona a empresa de fornecedora de commodity a parceira na descarbonização de quem compra.
Em um mercado em que regulações climáticas avançam e consumidores exigem rastreabilidade, o lançamento chega na hora certa: ter esse dado auditado deixou de ser diferencial e virou requisito. A NewEco não altera a base produtiva, apenas organiza e certifica atributos já inerentes ao processo. “Isso assegura transparência, clareza e confiança para os clientes na tomada de decisão”, destaca Werneck.
Para sustentar e ampliar essa capacidade, a companhia acelerou investimentos em energia própria. O Parque Solar de Arinos (MG), erguido com 1,5 bilhão de reais, tem 432 MWp e mais de 720.000 painéis solares.
Em Barro Alto (GO), outro complexo, de 1,3 bilhão de reais e 452 MWp, avança sobre 800 hectares. Somam-se duas PCHs em Mato Grosso, adquiridas por 440 milhões de reais, e a expansão da participação na hidrelétrica Dona Francisca, no Rio Grande do Sul, que levará a Gerdau a 50 MW médios de energia assegurada. “Estamos empenhados em ampliar o uso das matrizes solar e eólica, entre outras fontes limpas”, diz Werneck.
No âmbito social, o Reforma que Transforma se consolida como o maior projeto da história da empresa. Já beneficiou 2.156 pessoas com soluções completas de reforma habitacional, incubou cerca de 1.500 novos negócios no último ano e elevou a renda média dos participantes em 83%. Entre eles, 77% são mulheres e 60% são pessoas pretas ou pardas.
A economia circular ganha um novo endereço. Em Pindamonhangaba (SP), a empresa inaugura um Centro de Reciclagem de Sucata na unidade de aços especiais, ampliando o volume e a diversidade de tipos processados. A cadeia começa na matéria-prima, passa pela via elétrica e chega ao cliente com emissões rastreadas e auditadas.
O horizonte mais distante também já está mapeado. Com 3,2 bilhões de reais investidos, o projeto de mineração de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), deve entrar em operação no segundo semestre de 2026: sem barragens, com mineroduto, reservas para 40 anos e potencial de 1,1 bilhão de reais de Ebtida anual a partir de 2027.
“O meio ambiente é central na nossa estratégia de longo prazo, na gestão de riscos e na alocação de recursos”, resume Werneck.
DESTAQUES DO SETOR
ArcelorMittal
Uma das maiores fontes de carbono do setor siderúrgico é o alto consumo energético. Em 2025, a ArcelorMittal Brasil reduziu em 94% suas emissões nessa frente, resultado de 5,8 bilhões de reais investidos em projetos eólicos e solares.
O Complexo Eólico Babilônia Centro (BA) e o Parque Paracatu (MG) vão garantir que pelo menos 85% da demanda elétrica da empresa venha de autogeração limpa até 2030, com potencial de reduzir 200.000 toneladas de CO2 ao ano.
Na base produtiva, 54% dos aços longos já saem pela via elétrica, com a sucata reciclada como matéria-prima, e 98% dos resíduos industriais são reaproveitados como coprodutos. Por meio do programa XCarb®, o aço produzido chega a uma pegada inferior a 300 kg de CO2 por tonelada.
A Fundação ArcelorMittal investiu 40,7 milhões de reais em 289 projetos que beneficiaram 156.000 pessoas e firmou parceria com a Unesco para levar educação às escolas públicas.
Para Marina Guimarães, diretora Jurídica e de Sustentabilidade, a consistência ao longo do tempo é o que diferencia a abordagem da companhia. “Biodiversidade, direitos humanos e economia circular fazem parte das nossas decisões e evolução”, afirma.
Da mineração da bauxita ao produto final, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) é a única produtora do setor que atua de forma integrada em todo o processo produtivo. Em 70 anos de história, tornou-se referência global na produção de alumínio de baixo carbono, com pegada quatro vezes menor do que a média mundial.
O desempenho foi reconhecido pelo Carbon Disclosure Project (CDP), que a incluiu em sua classificação mais alta no combate às mudanças climáticas.
“Desde sua origem, a CBA está comprometida em oferecer soluções inovadoras e sustentáveis que gerem impacto positivo ao meio ambiente e à sociedade”, destaca Leandro Faria, gerente-geral de Sustentabilidade.
Em 2025, a companhia adquiriu participações em dois complexos eólicos: Serra do Tigre, na divisa do Rio Grande do Norte e Paraíba, e Cajuína III (RN), somando 115 MW à sua matriz renovável de 1,8 GW. Uma nova tecnologia deve ampliar o conteúdo reciclado de 60% para até 80%.
Para 2030, a meta é reduzir 40% das emissões nos fundidos. A substituição de combustíveis fósseis por biomassa nas caldeiras já evitou mais de 1 milhão de toneladas de CO2.
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