Gestora de Bill Ackman 'flopa' na bolsa em IPO com demanda baixa

Por Caroline Oliveira 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Gestora de Bill Ackman 'flopa' na bolsa em IPO com demanda baixa

Bill Ackman está prestes a colocar novamente à prova o apetite de Wall Street por sua estratégia — e por sua marca. O bilionário protocolou uma oferta que combina a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) de sua gestora, a Pershing Square Inc., com o lançamento de um novo fundo fechado, o Pershing Square USA Ltd.

A operação deve levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões, segundo fontes ouvidas por Bloomberg e Reuters — faixa que já incorpora os US$ 2,8 bilhões captados via colocação privada e que indica um piso mais conservador em relação aos planos iniciais.

As ações do Pershing Square USA abriram a US$ 24 em sua estreia na Bolsa de Valores de Nova York nesta quarta-feira, 29, enquanto que o preço das ações da gestora abriu em US$ 42 por ação, abaixo dos US$ 50 por papel no IPO.

De acordo com pessoas próximas ao processo ouvidas pelas agências, a demanda supera a oferta, com mais de 85% concentrada em investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e family offices. A Pershing Square não comentou oficialmente os detalhes.

Nova tentativa após fracasso anterior

A operação atual representa uma nova tentativa após o plano frustrado de 2024, quando Ackman buscava levantar até US$ 25 bilhões com um fundo semelhante. Na ocasião, a oferta não avançou, e o foco da gestora foi redirecionado para ampliar sua participação na Howard Hughes Holdings, vista pelo bilionário como veículo para adquirir participações majoritárias em outras companhias.

Estrutura e governança

O Pershing Square USA será listado na Bolsa de Nova York sob o código PSUS, enquanto a gestora será negociada como PS. O fundo cobrará taxa de administração de 2% e não terá taxa de performance, de acordo com informações da Bloomberg.

Já a gestora manterá um modelo baseado em taxa de performance preferencial, acionada quando os fundos entregarem retorno mínimo de 5% ao ano — nível que, segundo o Wall Street Journal, foi atingido na maior parte dos anos.

Outro ponto central da estrutura é o capital travado: a maior parte dos recursos sob gestão está em veículos fechados, sem possibilidade de resgate, o que busca reduzir a volatilidade de receitas — uma das principais críticas a outras gestoras listadas.

Após a oferta, o controle de voto deve permanecer concentrado em um veículo liderado por Ackman, pelo diretor de investimentos, Ryan Israel, e outros executivos.

Estratégia e momento de mercado

A investida ocorre em um ambiente de maior volatilidade global, influenciado por tensões geopolíticas, como o conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã. Em carta a investidores, divulgada pelo WSJ, Ackman argumenta que esse cenário cria oportunidades de adquirir ativos de qualidade com desconto.

A tese também se apoia no peso da marca pessoal de Ackman. Conforme divulgado pelo jornal, a Pershing Square destaca seu alcance midiático e reconhecimento como fatores capazes de ampliar o apelo do fundo — especialmente entre investidores individuais.

Conhecido no passado pelo ativismo, o investidor vem reposicionando a gestora há alguns anos para uma estratégia mais concentrada em grandes companhias abertas. Ao mesmo tempo, sua visibilidade ultrapassou Wall Street à medida que passou a se posicionar de forma mais ativa em debates públicos e a se associar a figuras como Donald Trump e Elon Musk.

Números e portfólio

A gestora administra cerca de US$ 19 bilhões em sua principal estratégia. Em 2025, registrou lucro de US$ 282 milhões sobre receita de US$ 763 milhões com taxas. Ackman recebeu US$ 143 milhões em remuneração no período, enquanto Ryan Israel recebeu US$ 44 milhões.

Entre as principais posições estão empresas como Alphabet — controladora do Google —, Uber e Universal Music Group. Mais recentemente, Ackman revelou uma participação de cerca de US$ 2 bilhões na Meta — equivalente a aproximadamente 10% do capital da Pershing Square ao fim de 2025 —, apostando no potencial da controladora do Facebook e Instagram com inteligência artificial.

Ambição de longo prazo

O novo fundo é peça-chave na estratégia de longo prazo do investidor, que busca ampliar capital permanente sob gestão e replicar um modelo mais próximo ao de Warren Buffett: participações concentradas, horizonte longo e capacidade de comprar empresas de qualidade a preços menores em momentos de turbulência macro.

Historicamente, gestoras de hedge funds listadas enfrentam ceticismo, devido à volatilidade dos resultados e à dificuldade de prever receitas. Ackman tenta contornar essas preocupações com uma estrutura mais estável e alinhada ao investidor de longo prazo.

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