Golfinhos guardam rancor? Estudo revela que fêmeas evitam machos agressivos

Por Vanessa Loiola 26 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Golfinhos guardam rancor? Estudo revela que fêmeas evitam machos agressivos

Golfinhos fêmeas podem usar a memória social para evitar machos agressivos durante o período reprodutivo. A conclusão é de um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), que identificou que esses mamíferos são capazes de reconhecer indivíduos específicos por meio de vocalizações e modificar seu comportamento com base em experiências anteriores.

A pesquisa analisou golfinhos-nariz-de-garrafa do Indo-Pacífico (Tursiops aduncus) e sugere que as fêmeas não apenas identificam machos potencialmente agressivos, mas também tendem a manter distância deles quando estão em condições de engravidar.

Assobios funcionam como uma espécie de identidade

Os pesquisadores concentraram o estudo em uma característica já conhecida dos golfinhos: cada indivíduo possui um assobio característico, uma vocalização única que funciona como uma espécie de assinatura sonora.

O trabalho foi realizado em Shark Bay, na Austrália, onde cientistas acompanham populações de golfinhos há cerca de quatro décadas. Esse monitoramento de longo prazo permitiu relacionar comportamentos observados ao histórico social de cada animal.

Para testar as reações das fêmeas, a equipe utilizou 34 gravações de assobios pertencentes a 11 machos. Os sons foram reproduzidos debaixo d'água para 17 fêmeas, enquanto drones registravam seus movimentos e respostas comportamentais.

Os resultados mostraram que, em diversos casos, as fêmeas se afastavam ao ouvir determinados assobios, especialmente aqueles associados a machos com histórico de comportamentos agressivos.

Consórcios reprodutivos ajudam a explicar a evasão das fêmeas

Segundo os autores, as reações mais intensas ocorreram quando as fêmeas ouviram os assobios de machos frequentemente envolvidos em episódios de coerção reprodutiva.

Durante a temporada de reprodução, é comum que machos formem alianças conhecidas como consórcios. Nesses grupos, dois ou mais indivíduos acompanham uma única fêmea por longos períodos para aumentar suas chances de acasalamento.

Os pesquisadores explicam que essas interações podem incluir perseguições, bloqueio de movimentos, mordidas, investidas corporais e outras formas de agressão.

O estudo mostrou que justamente os machos mais associados a esse tipo de comportamento eram aqueles que despertavam maior evasão por parte das fêmeas.

Memória social pode influenciar escolha de parceiros

Outro resultado importante é que as fêmeas parecem levar em consideração não apenas experiências vividas diretamente por elas, mas também o histórico geral de comportamento dos machos dentro da população.

Isso sugere que um macho pode ser evitado mesmo por fêmeas que nunca sofreram agressões dele, desde que ele seja conhecido por apresentar comportamento coercitivo com outras integrantes do grupo.

As respostas mais evidentes foram registradas entre fêmeas consideradas reprodutivamente disponíveis. Nesses casos, elas se afastavam com mais frequência e percorriam distâncias maiores após ouvir os assobios de machos agressivos.

Já fêmeas que estavam amamentando filhotes, eram mais velhas ou não se encontravam em fase fértil demonstraram reações menos intensas.

Estudo ajuda a entender relações sociais dos golfinhos

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância da cognição social na vida dos golfinhos. A capacidade de reconhecer indivíduos específicos, lembrar experiências passadas e utilizar essas informações para tomar decisões pode representar uma estratégia para reduzir riscos durante a reprodução.

Entre os possíveis benefícios estão a diminuição da exposição a comportamentos agressivos, a preservação do tempo destinado à alimentação e uma maior liberdade para escolher parceiros.

Os cientistas agora pretendem investigar o outro lado dessa dinâmica: quais características tornam alguns machos mais atraentes para as fêmeas e como essas preferências influenciam o sucesso reprodutivo dentro das populações de golfinhos.

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