Governo prepara pacote de medidas para tentar evitar greve de caminhoneiros

Por Estela Marconi 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Governo prepara pacote de medidas para tentar evitar greve de caminhoneiros

O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que o governo federal apresentará nesta terça-feira, às 10h, um conjunto de medidas para reforçar o cumprimento do preço mínimo do frete e tentar evitar uma greve nacional de caminhoneiros.

Segundo o ministro, as ações visam aumentar a efetividade da fiscalização e garantir que a tabela prevista na Lei 13.703/2018 seja cumprida. A iniciativa é conduzida em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Renan afirmou que, apesar do reforço recente na fiscalização eletrônica e presencial, ainda há descumprimento da regra, o que motivou novas medidas. O governo pretende responsabilizar transportadores, contratantes e empresas que operem abaixo do piso, com ações para coibir irregularidades e reduzir distorções no mercado.

Para avançar na proteção dos caminhoneiros e no equilíbrio no transporte de cargas no Brasil, o Ministério dos Transportes e a ANTT informam que intensificaram ao longo dos últimos meses a fiscalização eletrônica e em campo.

Entretanto, essa ampliação não foi suficiente para…

— Renan Filho (@RenanFilho_) March 18, 2026

Greve ganha força no país

O anúncio ocorre em meio à crescente mobilização de caminhoneiros por uma paralisação nacional, ainda sem data definida.

A articulação ganhou força após assembleias recentes, incluindo uma realizada no Porto de Santos, e já reúne lideranças de diferentes regiões do país. O movimento envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais contratados por empresas.

Há registros de paralisações pontuais e indicativos de adesão crescente, mesmo sem coordenação nacional unificada.

Diesel e frete estão no centro da crise

A principal insatisfação da categoria está ligada ao aumento do preço do diesel e ao descumprimento da tabela de frete mínimo.

Em 12 de março, o governo zerou PIS/Cofins sobre o combustível e criou uma subvenção que poderia reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro. No dia seguinte, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 no diesel A, anulando, na avaliação dos caminhoneiros, os efeitos da medida.

A categoria também cobra maior fiscalização do piso do frete, além de demandas como isenção de pedágio em viagens sem carga e maior previsibilidade de custos.

Impacto da ameaça de greve no mercado

No mercado financeiro, o Ibovespa perdeu força ao longo do pregão e fechou em leve nesta terça-feira, 17, refletindo a cautela dos investidores no fim do dia. O principal índice da B3 encerrou com alta de 0,30%, aos 180.409 pontos, após superar os 182 mil pontos na máxima intradiária.

No câmbio, o dólar também desacelerou o movimento de queda e terminou o dia em baixa de 0,58%, cotado a R$ 5,199, após ter tocado R$ 5,17 na mínima do dia.

A perda de fôlego dos ativos no Brasil coincidiu com a notícia de uma possível greve de caminhoneiros e elevou a percepção de risco no mercado.

À EXAME, Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, explica que o movimento foi influenciado pelo risco, ainda não confirmado, de paralisação. "Uma greve de caminhoneiros é algo bem negativo para os mercados. Pode impactar inflação, câmbio, curva de juros e tende a derrubar a bolsa, como vimos no passado", afirma.

Para ele, o fato de ainda se tratar de uma especulação limitou uma reação mais intensa. "Se fosse algo confirmado, provavelmente o mercado teria virado para queda, mesmo com o exterior positivo".

O economista também ressalta que uma paralisação é mal vista por afetar cadeias de suprimento, pressionar preços de alimentos e dificultar ainda mais o cenário para a inflação, justamente em um momento em que o Banco Central avalia a política monetária e, devido à guerra no Irã, pode trabalhar com pouco espaço para cortes na Selic. A decisão será divulgada nesta quarta, 18.

Na mesma linha, Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, afirma que o mercado começou o dia em alta mais firme, acompanhando o otimismo externo, mas perdeu tração ao longo da sessão por conta do risco de paralisação dos caminhoneiros.

"O Ibovespa seguiu Nova York, que abriu em forte alta, e o dólar chegou a cair bem, mas isso foi perdendo força com notícias desencontradas sobre o conflito no Oriente Médio e, no fim da tarde, com a possibilidade de greve dos caminhoneiros, que puxou o mercado para baixo”, diz.

A piora de percepção também foi sentida na curva de juros. Adriano Casarotto, Portfólio Manager de Crédito da Franklin Templeton Brasil, afirma que as taxas passaram a subir com a notícia.

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