Governo rebate Cargill após suspensão de exportações de soja à China
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), criticou nesta quinta-feira, 12, a decisão da Cargill de suspender as operações de exportação de soja brasileira para a China. Segundo ele, a empresa foi incorreta ao atribuir a medida a mudanças nos procedimentos do Ministério da Agricultura.
“Primeiro que eu não gostei da postura da Cargill quando começa dizendo que o Ministério da Agricultura muda os procedimentos. Isso é mentira”, afirmou o ministro em entrevista à CNN.
“A empresa sabe muito bem que há algum tempo o governo chinês reclama de que algumas cargas de soja brasileira chegam sem o cumprimento do protocolo”, acrescentou.
Na quarta-feira, 12, o presidente da Cargill no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa, afirmou à Reuters que a companhia suspendeu as exportações de soja brasileira para a China em função das mudanças na inspeção fitossanitária conduzida pelo governo brasileiro.
Segundo ele, o Mapa passou a adotar uma fiscalização mais rigorosa para cargas destinadas ao país asiático, após solicitações do governo chinês. Dessa forma, a nova inspeção estaria dificultando o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização para embarque do produto.
Sousa afirmou ainda que o novo sistema de fiscalização é incomum no mercado de grãos. De acordo com ele, o ministério passou a realizar sua própria amostragem das cargas, em vez de utilizar o modelo padrão adotado pelo mercado.
Sem os certificados sanitários emitidos após a inspeção, os navios não podem descarregar a carga na China. Como consequência, alguns embarques que tinham o país asiático como destino tiveram que ser redirecionados para outros mercados.
“Se não resolver logo, vai levar à paralisação dos embarques para a China”, disse Sousa nos bastidores da Argentina Week 2026, conferência organizada pelo Bank of America em Nova York.
Segundo ele, a Cargill suspendeu novas operações de compra de soja no Brasil desde a última sexta-feira, 6, diante das dificuldades para enviar o produto ao principal comprador global da oleaginosa.
A China é o principal destino da soja brasileira. Em 2024, o Brasil exportou 87 milhões de toneladas da oleaginosa para o país, gerando US$ 35 bilhões em receita, segundo o Mapa.
Soja na China
Para Carlos Cogo, da Cogo Consultoria, o episódio reflete um endurecimento recente nas inspeções fitossanitárias conduzidas pelo Ministério da Agricultura.
Para ele, a intensificação da fiscalização teria sido adotada como resposta a notificações feitas pelas autoridades sanitárias chinesas nos últimos meses sobre inconformidades detectadas em cargas brasileiras.
Para a safra 2025/26, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta exportações totais de 114 milhões de toneladas, das quais pouco mais de 75 milhões de toneladas devem ter a China como destino.
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Anec informaram que acompanham com atenção e preocupação os desdobramentos relacionados aos embarques de soja para o mercado chinês.
As entidades afirmaram que mantêm diálogo com autoridades e representantes da cadeia produtiva para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações e o cumprimento dos requisitos fitossanitários exigidos pelo mercado internacional.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: