GPA chega a cair 15% na bolsa: por que ação lidera baixas do Ibovespa?
O Ibovespa chegou a cair mais de 4% nesta terça-feira, 3, voltando ao patamar de 180 mil pontos. As ações do GPA (PCAR3) lideravam as quedas ao despencar quase 15% no pior momento do dia.
O GPA informou nesta terça que apresentou um pedido incidental de tutela cautelar na arbitragem contra o Casino, seu ex-controlador, para bloquear a participação de cerca de 22,5% que o grupo francês ainda detém na companhia.
A medida busca impedir a venda ou transferência das ações, hoje avaliadas em cerca de R$ 347 milhões, até que haja uma decisão final na disputa arbitral.
Além disso, a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou o rating corporativo da companhia de “A”, com observação negativa, para “CCC”, pressionando ainda mais os papéis.
O que aconteceu entre GPA e Casino?
A controvérsia tem origem em autos de infração da Receita Federal relacionados à suposta dedução indevida de amortizações de ágio no IRPJ dos anos-calendário de 2007 e 2013. A cobrança estimada é de R$ 2,55 bilhões — valor que representa mais da metade das contingências fiscais provisionadas pelo GPA.
O ágio, nesse caso, refere-se ao valor adicional pago em aquisições societárias, que pode ser amortizado e deduzido para fins fiscais. A Receita contesta essas deduções. O GPA sustenta que os procedimentos foram realizados de forma regular e afirma que defenderá sua posição nas esferas administrativa e judicial.
A disputa ganhou novo capítulo em abril de 2025, quando o Casino comunicou que as garantias anteriormente prestadas em favor do GPA nesses processos fiscais deixariam de ser exigíveis, em razão de seu plano de salvaguarda na França — mecanismo semelhante a uma recuperação judicial.
Sem as garantias, o GPA iniciou, em maio de 2025, uma arbitragem na Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI) para preservar seus direitos. O objetivo é assegurar que, caso a companhia venha a ser condenada de forma definitiva a pagar os tributos, possa ser ressarcida pelo ex-controlador.
Agora, ao pedir a tutela cautelar, a varejista tenta proteger o que chama de “resultado útil do processo”. Em outras palavras, busca evitar que o Casino se desfaça de ativos no Brasil antes do desfecho da arbitragem.
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