GPS natural? Drone mostra precisão impressionante da rota de voo das abelhas
Pesquisadores descobriram que as abelhas seguem rotas de voo próprias e altamente consistentes para se deslocar entre a colmeia e as fontes de alimento. Utilizando drones para rastrear os insetos em ambiente natural, uma equipe da Universidade de Freiburg identificou trajetórias repetidas com precisão de poucos centímetros, revelando como esses polinizadores utilizam pontos de referência da paisagem para se orientar.
A pesquisa oferece novas pistas sobre os mecanismos de navegação das abelhas e ajuda a explicar como elas conseguem retornar repetidamente aos mesmos locais, mesmo em ambientes complexos. Os resultados foram publicados na revista científica Current Biology.
Como os cientistas rastrearam as abelhas
Para acompanhar os voos, os pesquisadores utilizaram uma tecnologia chamada Fast Lock-On (FLO) Tracking. O método consiste na instalação de um pequeno marcador refletor no corpo das abelhas, permitindo que drones equipados com computadores identifiquem e acompanhem cada indivíduo durante o voo.
A equipe monitorou o deslocamento das abelhas entre a colmeia e uma fonte de alimento localizada a cerca de 120 metros de distância em uma área agrícola na Alemanha. Ao todo, foram analisadas 255 trajetórias.
Os registros revelaram que cada inseto seguia um caminho preferencial e repetia a mesma rota tanto na ida quanto na volta, mesmo após diversos voos. Segundo os pesquisadores, algumas abelhas chegaram a percorrer trajetos praticamente idênticos em viagens sucessivas.
Em muitos casos, os insetos voavam a apenas alguns centímetros de rotas utilizadas anteriormente. O comportamento indica que elas não apenas sabem para onde ir, mas também memorizam com precisão o caminho até o destino.
Os cientistas observaram ainda que cada indivíduo apresentava padrões próprios de navegação, sugerindo uma preferência por determinadas rotas.
Árvores funcionam como pontos de referência
A análise mostrou que a precisão era maior em áreas com elementos visuais marcantes na paisagem. Uma árvore localizada entre a colmeia e a fonte de alimento se destacou como um dos principais marcos utilizados pelas abelhas durante os deslocamentos. Próximo a ela, os trajetos apresentaram pouca variação entre os voos.
Já em regiões mais uniformes, como um milharal, a precisão diminuía. Nesses locais, os insetos tendiam a apresentar desvios maiores em relação às rotas habituais.
O que a descoberta revela sobre a comunicação das abelhas
O estudo também traz novas informações sobre a famosa "dança das abelhas", comportamento utilizado para indicar a localização de fontes de alimento a outros membros da colônia.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que as informações transmitidas durante essa "dança" apresentam certa margem de erro. Para distâncias próximas de 100 metros, a direção indicada pode variar cerca de 30 graus.
Os novos resultados mostram que essa imprecisão não está relacionada a limitações de navegação. Quando se deslocam para locais que já conhecem, as abelhas demonstram uma capacidade de orientação muito mais precisa.
Segundo os autores, isso indica que a "dança" fornece orientações gerais, enquanto a navegação individual é aperfeiçoada pela experiência acumulada e pelo reconhecimento dos elementos da paisagem.
Diante disso, os pesquisadores pretendem utilizar a mesma tecnologia para investigar como informações sobre alimentos, predadores e outros elementos do ambiente se espalham entre as abelhas.
A expectativa é compreender melhor os mecanismos que permitem a esses insetos localizar recursos, compartilhar informações dentro da colônia e se adaptar a diferentes cenários naturais.
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