Grupo Boticário capta R$ 2 bi em títulos sustentáveis e avança em logística reversa
Poucas empresas combinam escala e consistência em ESG como o Grupo Boticário, fabricante de cosméticos. Com 4.000 pontos de coleta espalhados pelo país e alta de 85% no volume recolhido, a empresa transformou o Boti Recicla em um dos programas de logística reversa de maior alcance do setor. O programa recebe embalagens vazias de qualquer cosmético, direciona para o descarte correto e oferece descontos ao cliente em troca.
O movimento tem lastro financeiro. Cerca de 65% da dívida bruta da empresa está atrelada a metas ESG por meio de títulos sustentáveis, que conectam indicadores ambientais e sociais às condições de financiamento. Só no ano passado, o grupo captou 2 bilhões de reais nessa modalidade.
Do total, 1,625 bilhão de reais foram atrelados a três frentes: criação de métodos alternativos de testes para produtos (de 55 para 70 métodos até 2030), divulgação científica de 12 novos métodos, e redução de 62% das emissões de escopos 1 e 2 até 2034. Os outros 375 milhões de reais serão destinados à nova fábrica em Pouso Alegre (MG), prevista para entrar em operação em 2028.
Entre 2024 e 2025, 70% das metas previstas até o fim da década tiveram evolução. Para o CEO Fernando Modé, o número reflete uma construção interna consistente. “Temos construído o ESG no Grupo Boticário de forma integrada à estratégia do negócio e à evolução do nosso ecossistema de beleza, pois para nós sustentabilidade não é uma frente isolada”, afirma. “Ela faz parte da maneira como tomamos decisões, desenvolvemos inovação, fortalecemos relações com parceiros e consumidores e geramos valor no longo prazo.”
Hoje, cinco unidades da companhia, em Camaçari (BA), São José dos Pinhais (PR), Registro (SP), São Gonçalo dos Campos (BA) e Varginha (MG), já operam com consumo de energia elétrica 100% renovável. A operação também contempla gestão hídrica, biodiversidade e eficiência operacional. Na inovação, o grupo não realiza testes em animais desde 2000 e foi pioneiro no desenvolvimento de métodos alternativos no Brasil, incluindo a criação de uma pele 3D para testes e desenvolvimento de produtos.
Ainda na esfera ambiental, a Fundação Boticário é responsável por manter duas reservas naturais, em Goiás e no Paraná, com cerca de 11.000 hectares entre o Cerrado e a Mata Atlântica. O objetivo é conectar a conservação da natureza e da biodiversidade brasileira no cotidiano da população.
No campo social, o foco está na inclusão produtiva e no empreendedorismo no setor de beleza. Por meio do Instituto Grupo Boticário, mais de 420.000 oportunidades de capacitação e geração de renda foram criadas desde 2022. Um dos projetos é o Empreendedoras da Beleza, capacitação que insere mulheres no empreendedorismo. A formação acontece no modelo online, com aulas sobre maquiagem, cuidados capilares e coloração de unhas.
Assim, em algumas horas, as alunas estão aptas a aplicar na prática — e garantir um incremento na renda. A meta é chegar a 1 milhão de oportunidades até 2030, e a empresa já ultrapassou 780.000 em quatro anos.
Em 2025, o grupo recebeu a certificação Age Friendly, dirigida a empresas com práticas de inclusão etária e combate ao etarismo no mercado de trabalho.
Para Fabiana De Freitas, vice-presidente de Assuntos Corporativos, o avanço depende de transformar pautas socioambientais em decisões concretas. “Avançamos em temas como gestão hídrica, mudanças climáticas, biodiversidade, resíduos e inclusão, fortalecendo ações em todo o nosso ecossistema”, diz. “Ao mesmo tempo, reconhecemos a complexidade dessa jornada e os desafios que ainda temos pela frente, especialmente na descarbonização da cadeia, que exigirá colaboração, inovação e aprendizado contínuo.”
DESTAQUES DO SETOR
Cerca de 80% das entregas da L’Oréal no Sul e Sudeste já são feitas por uma operação logística abastecida com biometano. O projeto conecta a fábrica da produtora de cosméticos em São Paulo ao centro de distribuição de Jarinu (SP) por uma frota de 16 caminhões movidos ao combustível renovável e evitou mais de 3.500 toneladas de CO2 em 2025. A meta é que 60% dos produtos vendidos no Brasil sejam transportados com biometano até 2030.
“Ao mesmo tempo que avançamos na descarbonização das operações, continuamos investindo em inclusão produtiva, empoderamento feminino e inovação sustentável”, afirma Helen Pedroso, diretora de Responsabilidade Corporativa e Direitos Humanos do Grupo L’Oréal no Brasil.
No campo social, a empresa mantém cinco Escolas de Beleza no país voltadas para a formação profissional em estética. O Fundo L’Oréal para Mulheres apoia projetos direcionados a mulheres em situação de vulnerabilidade e deve beneficiar 13.000 pessoas no país neste ano.
São 2,2 milhões de hectares conservados, 11.400 famílias parceiras e 19 unidades produtivas na Amazônia — não como compensação, mas como negócio. Em 2025, a Natura ampliou investimentos em cadeias da sociobiodiversidade e aprofundou parcerias com comunidades agroextrativistas da Pan-Amazônia. “Acreditamos que o sucesso financeiro e a prosperidade do planeta são indissociáveis”, afirma Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da empresa.
A meta é se tornar 100% regenerativa até 2050, incorporando indicadores ambientais e sociais diretamente à geração de receita. Em 2025, a companhia calcula que, para cada 1 real faturado, gerou 4 reais em valor compartilhado para a sociedade e o planeta.
No mesmo ano, a Natura movimentou 44,19 milhões de reais em compras de insumos amazônicos e compartilhou 62,39 milhões de reais com comunidades parceiras. O portfólio de embalagens chegou a 90% de itens reutilizáveis, recicláveis, refiláveis ou compostáveis.
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