Grupo Equatorial aposta em tecnologia para adaptação climática e amplia uso de etanol em 69%
O setor elétrico brasileiro nunca esteve sob tanta pressão simultânea: eventos climáticos extremos mais frequentes, exigências crescentes de descarbonização e expansão acelerada da demanda por energia limpa. Para as distribuidoras, responder a esse cenário exige eficiência operacional e visão de longo prazo.
É nesse contexto que o Grupo Equatorial, uma das maiores holdings de energia e infraestrutura do Brasil, com mais de 14 milhões de clientes em sete concessionárias, construiu uma abordagem ESG integrada ao núcleo do negócio.
Fundada em 2004 com o desafio de reestruturar a Cemar, hoje Equatorial Maranhão, a companhia tem forte presença no Norte e Nordeste, regiões historicamente marcadas por baixo IDH, infraestrutura precária e alta vulnerabilidade climática.
Esse ponto de partida moldou a forma como o grupo enfrenta a transição energética — não como adaptação, mas como terreno conhecido.
“O ESG é pilar estratégico que orienta decisões, investimentos e a forma como conduzimos o nosso crescimento”, afirma Augusto Miranda, CEO do grupo.
Um dos projetos mais concretos dessa direção é o Horus, plataforma desenvolvida para apoiar o planejamento e a gestão de equipes diante de eventos climáticos extremos.
Em 2025, avançou com o fortalecimento do Centro de Operações e o aprimoramento da mensuração de atividades em campo. Agora em seu segundo ciclo, o projeto incorpora dados meteorológicos e modelagem dos impactos sobre a rede elétrica, com o objetivo de antecipar falhas antes que ocorram e reduzir o tempo de resposta em situações críticas.
Outro avanço está na transição da matriz de combustíveis da frota administrativa. No ano passado, o consumo de etanol cresceu 69% na comparação com o período anterior, com redução no uso de gasolina e GLP, resultado de um programa já em seu terceiro ano. O movimento é gradual e mensurável — linha que define a abordagem do grupo na redução de emissões.
Na inovação, o EQTLab, instituto de ciência e tecnologia do grupo, desenvolve soluções em digitalização, análise de dados e eficiência na gestão dos ativos elétricos.
Para 2026, a prioridade é a implementação das normas IFRS S1 e S2, que integrarão as informações de sustentabilidade ao reporte financeiro — um passo que exige processos mais robustos, responsabilidades bem definidas e maior rastreabilidade dos dados.
“Incorporar critérios ambientais, sociais e de governança no centro do negócio significa garantir eficiência operacional, geração de valor no longo prazo e impacto positivo para as pessoas e os territórios”, reforça o CEO.
Com operações concentradas em regiões de alta vulnerabilidade climática e social, o Grupo Equatorial carrega um desafio que poucos players do setor enfrentam com a mesma intensidade.
É justamente esse contexto que torna a pauta ESG algo além de estratégia: uma condição para a sustentabilidade e sobrevivência da própria operação.
DESTAQUES DO SETOR
A Engie Brasil é um dos maiores grupos privados do setor elétrico, com um portfólio 100% renovável, incluindo usinas hidrelétricas, parques eólicos e solares.
Em 2025, investiu 6 bilhões de reais em ativos com foco em geração renovável, transmissão e tecnologias de armazenamento de energia, como o Conjunto Eólico Serra do Assuruá (BA) e o Fotovoltaico Assú Sol (RN).
A empresa alcançou uma redução de 30% nas emissões de gases de efeito estufa e segue sua trajetória rumo ao Net Zero até 2045. Além da mitigação climática, a Engie prioriza a conservação da biodiversidade e a gestão hídrica, com projetos de proteção de espécies e recuperação de ecossistemas em todos os biomas brasileiros.
No pilar social, investiu 26 milhões de reais em projetos que beneficiaram diversas regiões, com destaque para o programa Mulheres do Nosso Bairro, que destinou 1,1 milhão de reais a 115 ações voltadas para a equidade de gênero. Para 2026, a Engie Brasil expandirá seus projetos sociais e continuará avançando em descarbonização, com foco em impacto positivo nos territórios.
Na CPFL, a sustentabilidade é indissociável da segurança energética, qualidade e perenidade do negócio. Maior distribuidora de energia do Brasil, a companhia construiu sua estratégia ESG em torno de três eixos: geração renovável e descarbonização, operações digitais e eficientes, e impacto social direto nas comunidades onde atua.
Os resultados aparecem. Em 2025, o Instituto CPFL investiu 55 milhões de reais em projetos sociais e culturais, beneficiando 616.000 pessoas. O programa CPFL nos Hospitais já aplicou 200 milhões de reais em eficiência energética de instituições de saúde e prevê mais 120 milhões de reais na próxima fase. No mesmo ano, a empresa se tornou carbono neutro e já tem 100% da matriz elétrica renovável, com foco crescente na resiliência climática da infraestrutura.
Para 2026, as prioridades são automação de rede, expansão de medidores inteligentes e adaptação diante de eventos climáticos extremos. Já no pilar social, o instituto lançou dois projetos culturais em Campinas (SP) com 400 vagas gratuitas para jovens, dentro de um programa voltado para a inclusão social via cultura e esporte.
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