Guerra com o Irã provoca maior choque de oferta de petróleo da história, diz IEA
A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel está provocando a maior interrupção de oferta já registrada no mercado global de petróleo, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, 12, pela Agência Internacional de Energia (IEA). O conflito já afeta cerca de 7,5% do suprimento mundial da commodity.
O aumento dos preços da energia, o cancelamento de voos e o aumento da incerteza econômica também começaram a afetar o consumo global.
Com isso, a IEA reduziu em cerca de 25% sua projeção de crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026, para 640 mil barris por dia — a menor estimativa desde que o órgão começou a divulgar projeções para o período.
De acordo com a agência, a guerra no Oriente Médio representa “a maior disrupção de oferta da história do mercado global de petróleo”. Como resposta à crise, os países membros da organização concordaram em liberar 400 milhões de barris de reservas emergenciais para tentar conter a volatilidade dos preços.
Os mercados passaram a reagir após os ataques iniciados em 28 de fevereiro, quando forças dos Estados Unidos e de Israel bombardearam alvos no Irã. Desde então, o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz — principal corredor energético do Golfo — despencou.
Segundo estimativas da IEA, o fluxo pelo Estreito de Ormuz caiu mais de 90%. A rota transportou cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados por dia no ano passado, o que a torna uma das passagens marítimas mais importantes para o abastecimento global.
A agência calcula que o conflito deve reduzir a oferta mundial de petróleo em 8 milhões de barris por dia neste mês.
Brent volta a superar US$ 100
Em meio à escalada da crise, o barril do petróleo Brent crude voltou a superar US$ 100 em Londres nesta quinta-feira, 12.
A alta ocorreu após dois petroleiros serem atingidos em águas do Iraque e da evacuação de um importante terminal de exportação de petróleo em Omã.
Segundo a IEA, o bloqueio do Estreito de Ormuz obrigou produtores do Golfo a interromper cerca de 10 milhões de barris diários de produção. Parte das exportações de países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos pode ser redirecionada por rotas alternativas, mas a capacidade é limitada.
Liberação de reservas estratégicas
Segundo a Bloomberg, antes da guerra, a IEA projetava que o mercado global de petróleo registraria excedente recorde em 2026, impulsionado pelo aumento da produção nas Américas, especialmente nos Estados Unidos, Canadá, Guiana e Brasil.
Com o choque atual, a previsão de superávit global foi reduzida em mais de um terço, para cerca de 2,4 milhões de barris por dia.
Nos Estados Unidos, o secretário de Energia, Chris Wright, informou que o país deverá liberar 172 milhões de barris da Strategic Petroleum Reserve. A entrega total desse volume deve levar cerca de 120 dias.
Além da produção, a agência alerta que o fechamento do Estreito de Ormuz também ameaça cerca de 4 milhões de barris por dia de capacidade de refino na região, o que pode ampliar os riscos de escassez de derivados como diesel e combustível de aviação.
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