Guerra, cortes e novas metas: por que o homem não voltou à Lua desde 1972
Depois de mais de cinco décadas sem enviar astronautas à Lua, a Nasa se prepara para retomar esse tipo de missão com a Artemis II nesta quarta-feira, 1º, às 19h24 (horário de Brasília). A transmissão poderá ser acompanhada ao vivo no Youtube da Nasa.
O longo intervalo desde o programa Apollo foi resultado de uma combinação de decisões políticas, cortes de orçamento e mudanças de prioridades ao longo do tempo.
Entre 1969 e 1972, os Estados Unidos levaram 12 pessoas à superfície lunar. Após esse período, o programa foi encerrado, apesar de planos para novas missões.
Corrida espacial perdeu força
A ida à Lua ocorreu em meio à disputa entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Com o objetivo principal alcançado, o interesse estratégico diminuiu.
Durante uma palestra em 2019 no Royal Museums Greenwich, o professor Anu Ojha, do Centro Espacial Nacional do Reino Unido, explicou que o contexto geopolítico da época influenciou diretamente essa mudança.
A percepção de que a corrida havia sido vencida levou à redefinição de prioridades e à redução do investimento em missões lunares.
Redução de recursos mudou o cenário
O custo das missões lunares foi um fator determinante. Durante o auge do programa Apollo, a Nasa chegou a consumir cerca de 4% do orçamento federal dos Estados Unidos.
Nas décadas seguintes, esse percentual caiu para menos de 1%, o que limitou a capacidade de manter novas viagens à Lua.
Com menos verba disponível, o Congresso reduziu os investimentos, contribuindo para o encerramento das missões após 1972.
Outros projetos passaram a ser prioridade
Com o fim das viagens à Lua, a Nasa direcionou seus esforços para outras iniciativas.
Programas como o ônibus espacial e a Estação Espacial Internacional passaram a concentrar as atividades da agência por anos, priorizando pesquisas em órbita terrestre e desenvolvimento tecnológico.
Por que o retorno à Lua acontece agora?
O novo ciclo de exploração espacial está ligado ao programa Artemis, que busca ampliar os objetivos das missões anteriores. Diferentemente do programa Apollo, a proposta atual não é apenas repetir o feito histórico, mas estabelecer uma presença humana sustentável na Lua.
A Artemis II será o primeiro voo tripulado dessa nova etapa e levará astronautas a orbitar o satélite, sem pouso, para testar sistemas essenciais da espaçonave Orion.
De acordo com a Nasa, o programa também pretende expandir o conhecimento científico e desenvolver tecnologias aplicáveis tanto na exploração espacial quanto na Terra.
O plano inclui explorar regiões ainda não visitadas, como o polo lunar, além de preparar futuras missões tripuladas, incluindo projetos de envio de humanos a Marte.
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