Guerra do Irã já custou US$ 25 bilhões aos EUA, diz Pentágono
Os Estados Unidos gastaram 25 bilhões de dólares (124,9 bilhões de reais) na guerra com o Irã desde seu início, em 28 de fevereiro, afirmou um alto funcionário do Pentágono nesta quarta-feira, 29.
"Gastamos cerca de 25 bilhões de dólares na Operação Fúria Épica", disse o controlador interino do Pentágono, Jules Hurst, a congressistas, referindo-se ao conflito. Ele acrescentou que a maior parte desse valor "se destina a munições".
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou posteriormente, perante a mesma comissão do Congresso, que o custo estimado era inferior a 25 bilhões de dólares.
O chefe do Pentágono ignorou as perguntas sobre o custo da guerra, afirmando: "A pergunta que eu faria a esta comissão é: qual o preço que se pode atribuir à garantia de que o Irã jamais adquira uma arma nuclear?".
Conflito dura dois meses
Na madrugada de 28 de fevereiro, um sábado, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma onda de fortes bombardeios ao Irã, com a expectativa de derrubar o regime dos aiatolás e acabar com a capacidade militar e nuclear do Irã. Um mês depois, esses objetivos não foram atingidos, e a região do Oriente Médio segue mergulhada em incerteza.
Trump esperava um desfecho rápido, como ocorreu na Venezuela em janeiro, mas a história foi outra. Mesmo com a morte do líder supremo, Ali Khamenei, além de várias autoridades, o regime não caiu e seguiu capaz de fazer ataques a vários países da região, como os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.
Além disso, o Irã conseguiu bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo, o que levou o barril de petróleo a superar US$ 100. Antes, o preço estava no patamar de US$ 60.
Apesar do discurso duro e dos ataques, Trump não conseguiu convencer o Irã a reabrir a passagem. O líder americano pediu ajuda aos aliados europeus da Otan, mas também ouviu um "não". O presidente apostava em discursos opostos: dizia que a capacidade militar do Irã havia sido destruída, mas que precisava de apoio para lutar contra eles.
Sem opções, os EUA precisaram voltar às mesas de negociação com o Irã. Após dois ultimatos dados por Trump, o prazo atual para o fim das conversas é 6 de abril.
Efeitos domésticos
Para Trump, a guerra trouxe efeitos negativos na política interna. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 61% dos americanos desaprovam a atuação do presidente na guerra, enquanto 37% aprovam, e 45% dizem que os militares americanos não estão indo bem no conflito.
Sua popularidade também caiu para 34% de aprovação, o menor nível desde o começo do mandato.
Outro efeito de peso contra Trump foi a alta dos combustíveis, que subiram nas bombas americanas e devem pressionar a inflação no país. Ao mesmo tempo, Trump é questionado em gastar em uma guerra no exterior após ter prometido que priorizaria investimentos no país.
Em novembro, os EUA terão eleições de meio de mandato, e os republicanos poderão perder o controle do Congresso, que possuem hoje, mas com margens estreitas.
Efeitos no Oriente Médio
Para o Oriente Médio, a guerra do Irã trouxe uma série de bloqueios e ataques a locais antes considerados seguros. Cenas de hoteis e aeroportos sob bombardeios correram o mundo no começo do conflito. Voos para aeroportos importantes, como Dubai e Qatar, foram suspensos, gerando a maior ruptura no setor aéreo internacional desde a pandemia.
Junto com o Burj Al Arab, um edifício símbolo de Dubai, as explosões também sacudiram um hotel cinco estrelas situado na luxuosa área de Palm Jumeirah, um ostentoso polo de lazer para pessoas abastadas.
O aeroporto de Dubai, o mais movimentado do mundo em tráfego internacional, e o porto de Jebel Ali também foram atingidos. As duas instalações representam cerca de 60% das receitas de Dubai, segundo estimativas oficiais.
Com informações da AFP
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