Guerra do Irã, que fez petróleo disparar e enfraqueceu Trump, completa um mês
Na madrugada de 28 de fevereiro, um sábado, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma onda de fortes bombardeios ao Irã, com a expectativa de derrubar o regime dos aiatolás e acabar com a capacidade militar e nuclear do Irã. Um mês depois, esses objetivos não foram atingidos, e a região do Oriente Médio segue mergulhada em incerteza.
Trump esperava um desfecho rápido, como ocorreu na Venezuela em janeiro, mas a história foi outra. Mesmo com a morte do líder supremo, Ali Khamenei, além de várias autoridades, o regime não caiu e seguiu capaz de fazer ataques a vários países da região, como os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.
Além disso, o Irã conseguiu bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo, o que levou o barril de petróleo a superar US$ 100. Antes, o preço estava no patamar de US$ 60.
Apesar do discurso duro e dos ataques, Trump não conseguiu convencer o Irã a reabrir a passagem. O líder americano pediu ajuda aos aliados europeus da Otan, mas também ouviu um "não". O presidente apostava em discursos opostos: dizia que a capacidade militar do Irã havia sido destruída, mas que precisava de apoio para lutar contra eles.
Sem opções, os EUA precisaram voltar às mesas de negociação com o Irã. Após dois ultimatos dados por Trump, o prazo atual para o fim das conversas é 6 de abril.
Efeitos domésticos
Para Trump, a guerra trouxe efeitos negativos na política interna. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 61% dos americanos desaprovam a atuação do presidente na guerra, enquanto 37% aprovam, e 45% dizem que os militares americanos não estão indo bem no conflito.
Sua popularidade também caiu para 40% de aprovação, o menor nível desde o começo do mandato.
Outro efeito de peso contra Trump foi a alta dos combustíveis, que subiram nas bombas americanas e devem pressionar a inflação no país. O governo fez uma série de ações para baixar os preços, mas ainda não colheu resultados.
Ao mesmo tempo, Trump é questionado em gastar em uma guerra no exterior após ter prometido que priorizaria investimentos no país.
"O cara que fez campanha com 'América Primeiro' está jogando bilhões lá fora. Aí não estamos colocando os Estados Unidos em primeiro lugar, meu amigo", disse o soldador Vince Lucisano, que votou em Trump em 2024, à agência AFP.
"Só precisamos lidar com isso e, basicamente, colocar o Irã em seu devido lugar. Quando isso se transforma em uma guerra em grande escala, começa a ficar um pouco mais assustador", afirmou o homem de 42 anos.
Christopher Borick, diretor do Instituto de Opinião Pública do Muhlenberg College na Pensilvânia, diz que o conflito se soma às preocupações já existentes sobre o custo de vida e imigração.
"O governo enfrenta dificuldades para apresentar um caso convincente e claro a favor das ações militares no Irã e os efeitos simultâneos no custo de vida nos Estados Unidos só agravaram a frágil posição dos republicanos entre os eleitores independentes", afirmou, à AFP.
Em novembro, os EUA terão eleições de meio de mandato, e os republicanos poderão perder o controle do Congresso, que possuem hoje, mas com margens estreitas.
Efeitos no Oriente Médio
Para o Oriente Médio, a guerra do Irã trouxe uma série de bloqueios e ataques a locais antes considerados seguros. Cenas de hoteis e aeroportos sob bombardeios correram o mundo no começo do conflito.
Voos para aeroportos importantes, como Dubai e Qatar, foram suspensos, gerando a maior ruptura no setor aéreo internacional desde a pandemia.
Junto com o Burj Al Arab, um edifício símbolo de Dubai, as explosões também sacudiram um hotel cinco estrelas situado na luxuosa área de Palm Jumeirah, um ostentoso polo de lazer para pessoas abastadas.
O aeroporto de Dubai, o mais movimentado do mundo em tráfego internacional, e o porto de Jebel Ali também foram atingidos. As duas instalações representam cerca de 60% das receitas de Dubai, segundo estimativas oficiais.
Final ainda incerto
Após um mês, a guerra parece se encaminhar para um cessar-fogo. Na sexta-feira, 27, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse esperar que os ataques podem durar mais duas semanas.
Já o presidente Trump tem dado sinais mistos. Promete atacar o Irã com força se o país não fechar um acordo, mas diz estar disposto a negociar. Especialistas apontam que a duração do conflito terá papel fundamental para definir os seus efeitos.
O barril de petróleo tipo Brent, negociado em Londres com prazo de entrega em maio, encerrou a sexta-feira a 112,57 dólares.
A decisão de Trump de adiar por mais dez dias seu ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz não bastou para acalmar os operadores do mercado.
"Para que os preços voltem a cair, é necessário encontrar uma saída para o conflito", disse Andy Lipow, da Lipow Oil Associates, à AFP. "E nem mesmo que haja um cessar-fogo há certeza de que o Irã permitirá a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz", acrescentou.
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