Guerra entre Irã, EUA e Israel deixou prejuízo de até US$ 300 bilhões, dizem estimativas

Por Estela Marconi 9 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra entre Irã, EUA e Israel deixou prejuízo de até US$ 300 bilhões, dizem estimativas

O governo do Irã passou a cobrar reparações bilionárias de guerra durante as negociações com os Estados Unidos para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro pelo presidente americano, Donald Trump.

Após 40 dias de confrontos envolvendo também Israel, autoridades iranianas afirmam que os prejuízos causados pelos bombardeios e pelo bloqueio naval já ultrapassam US$ 270 bilhões em danos, valor que pode superar os US$ 300 bilhões segundo estimativas de economistas.

Teerã deixou claro que não pretende assumir sozinho os custos da reconstrução e passou a defender que os Estados Unidos, Israel e países árabes da região participem financeiramente do processo.

Os dois lados seguem trocando propostas para tentar consolidar um acordo de paz enquanto persistem episódios de tensão militar no Estreito de Ormuz.

Infraestrutura energética e indústria sofreram perdas severas

Autoridades americanas e israelenses afirmam que bases militares, portos e instalações ligadas à produção de mísseis e drones foram destruídas durante a guerra.

O governo iraniano reconhece danos extensos, especialmente na Marinha e no setor energético.

Unidades de produção de gás natural no campo de South Pars, considerado o maior do mundo, foram atingidas por ataques israelenses, assim como refinarias e instalações petroquímicas próximas a grandes cidades, incluindo Teerã.

Estimativas oficiais apontam que os bombardeios reduziram em até 85% da capacidade energética voltada à exportação, provocando prejuízos de cerca de US$ 50 bilhões.

Segundo levantamento do economista Hadi Kahalzadeh, cerca de 20 mil fábricas foram danificadas, o equivalente a 20% do parque industrial iraniano.

O setor metalúrgico, um dos pilares da economia nacional, teria registrado perdas próximas de US$ 10 bilhões, com queda de 70% na atividade.

O governo iraniano admite que ao menos 1 milhão de pessoas perderam o emprego desde o início da guerra, enquanto milhões seguem ameaçados economicamente.

Hospitais, escolas e pontes foram destruídos

Além da infraestrutura militar e industrial, os ataques também atingiram áreas civis em diferentes regiões do país.

Dados do Crescente Vermelho apontam danos ou destruição em 316 unidades de saúde, 763 escolas, 32 universidades, 120 museus e monumentos históricos, além de delegacias e centrais de bombeiros.

Pontes, aeroportos, ruas e ginásios esportivos também foram reduzidos a escombros.

Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), quase 3,7 mil pessoas morreram durante o conflito.

Em Minab, 156 pessoas morreram, a maioria crianças, após bombardeios contra a região.

Irã quer reparações e controle parcial de Ormuz

A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, afirmou que Teerã pretende negociar reparações financeiras como parte das conversas diplomáticas.

Nesta quinta-feira, Mohsen Rezai, ex-chefe da Guarda Revolucionária, voltou a defender compensações financeiras mesmo em caso de retirada militar americana da região.

Além de Estados Unidos e Israel, o Irã também quer que seis países árabes ajudem na reconstrução: Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Jordânia.

Os países árabes, por outro lado, acusam Teerã pelos danos provocados por mísseis e drones iranianos e acionaram as Nações Unidas.

Segundo levantamento da consultoria Rysten Energy, os prejuízos no setor energético regional chegam a US$ 58 bilhões.

Negociações incluem futuro do Estreito de Ormuz

Nas negociações em andamento, o Irã busca manter algum tipo de controle sobre o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de pedágios para financiar a reconstrução do país.

Teerã também quer o desbloqueio de cerca de US$ 100 bilhões retidos no exterior.

Os Estados Unidos exigem a reabertura completa da passagem marítima, responsável antes da guerra por aproximadamente 20% das exportações globais de petróleo e gás.

O fechamento do estreito provocou forte impacto nos mercados internacionais de energia.

No começo da semana, Washington suspendeu uma operação para tentar reabrir Ormuz após a recusa da Arábia Saudita em permitir o uso de seu espaço aéreo.

Na quinta-feira, americanos e iranianos voltaram a trocar acusações sobre ataques na região do estreito. Enquanto Washington afirmou ter evitado ações “não provocadas” contra embarcações militares, Teerã relatou explosões em cidades costeiras e acusou os EUA de violar o cessar-fogo.

*Com O Globo

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