Guerra no Irã beneficia, e muito, a economia da Guiana

Por Matheus Gonçalves 11 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra no Irã beneficia, e muito, a economia da Guiana

A mais de 11 mil quilômetros do Irã, a Guiana é um pequeno país ao norte do Brasil e, normalmente, passa despercebida ao resto do mundo.

Todavia, as exportações de petróleo da Guiana são as que mais rapidamente aumentam do mundo — e, como EXAME mostrou, a economia do país é a que mais cresce nos últimos anos.

Desde a descoberta de campos petrolíferos offshore, em 2019, sua economia quintuplicou de tamanho, o maior crescimento global. Na época, o crescimento ocorreu sob os preços normais da commodity – agora, com a guerra no Irã, o país fatura significativamente mais.

No campo político, a reeleição do presidente Irfaan Ali acalmou investidores sobre a manutenção da exploração das reservas do país. Dois meses após a sua reeleição, Ali buscou apresentar sua nação como uma liderança climática na COP30, em Belém, o que atraiu atenção política e financeira.

Além disso, a remoção pelos EUA de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, do poder, aliviou pressões que o ex-líder punha na exploração do vasto campo petrolífero Stabroek Block, fazendo com que a Guiana possa usufruir mais livremente de seus recursos — sem contar a disputa que Maduro travava pela região de Essequibo.

Com o aumento do preço do petróleo, investidores confiantes e uma exploração livre das ricas águas ao redor do país, lucros semanais cresceram de 370 milhões de dólares antes da guerra a 623 milhões atualmente. Os operadores do campo de Stabroek, liderados pela ExxonMobil, empresa americana, querem aumentar a extração em 2,5% para um total de 940 mil barris por dia. Se o fizerem e os preços do barril continuarem por volta de 100 dólares, os campos da Guiana gerarão cerca de 33 bilhões de dólares esse ano, 75% a mais do que o previsto antes da guerra, apura a revista britânica The Economist.

Soma-se a isso o fato de que cerca de dois terços das exportações vão para a Europa, que, devido à crise, está pagando ainda mais por vendas que favoreçam o bloco – cerca de 10 dólares a mais do que o preço de mercado por barril – e os lucros da Guiana durante a guerra são até 90% maiores do que antes dos ataques, segundo a publicação britânica.

Uma operação cada vez maior

E a crescente continua: por mais que o governo receba apenas 14,5% do valor de cada barril, com o restante indo para o consórcio da ExxonMobil, que explora os campos, esse valor rapidamente vai aumentar, uma vez que as taxas prometidas à empresa serão pagas muito antes do previsto, devido às altas no petróleo – até um ano antes, estima a The Economist.

Quando isso acontecer, até 52% do valor irá para o governo, que já está buscando novas fontes da commodity. A exploração adicional limita lucros para o governo a curto prazo, devido às renovações contratuais com o consórcio, mas, ao longo prazo, os aumentaria drasticamente.

E a ExxonMobil já está construindo novas embarcações de extração e armazenamento, que custam 2 bilhões de dólares cada, e acelerando projetos para ainda outras, resultando em sete enormes navios que funcionam como plataformas de petróleo e como transportadores da commodity. Projetos para um oitavo barco, que exploraria gás natural pela primeira vez na história do país, já foram anunciados, e a empresa também disse que iniciaria processos para um nono em um ano.

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