Guerra no Irã causa interrupções na oferta de petróleo em países do Oriente Médio

Por Da redação, com agências 9 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra no Irã causa interrupções na oferta de petróleo em países do Oriente Médio

A ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã está interrompendo exportações de petróleo e gás natural no Oriente Médio, provocando paralisações que vão do Catar ao Iraque. O Kuwait anunciou entre este sábado, 7, e domingo, 8, cortes em sua produção, de acordo com informações da agência Reuters.

A Kuwait Petroleum Corporation declarou "força maior"ontem e reduziu a produção devido à interrupção de exportações pelo Estreito de Ormuz.

A Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) também informou que está gerenciando os níveis de produção offshore para preservar "flexibilidade operacional". Um incêndio no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, também atingiu um importante centro de armazenamento e abastecimento de petróleo.

O Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), reduziu cerca de 1,5 milhão de barris por dia (bpd) por falta de capacidade de armazenamento e exportação.

Autoridades afirmam que o volume pode subir para 3 milhões de bpd se as exportações não forem retomadas. A produção total do país era de aproximadamente 4,1 milhões de bpd em janeiro, cerca de 4% da produção mundial. No Curdistão iraquiano, várias empresas interromperam a produção como precaução; a região exportou cerca de 200 mil bpd para a Turquia em fevereiro.

O Catar suspendeu operações em suas instalações de gás natural liquefeito (GNL) em 2 de março, afetando plantas responsáveis por cerca de 20% do GNL global. A QatarEnergy também interrompeu parte da produção downstream e declarou força maior nos embarques em 4 de março.

A Arábia Saudita suspendeu a produção na refinaria de Ras Tanura, com capacidade de 550 mil bpd, e redirecionou carregamentos de petróleo do leste para Yanbu, no Mar Vermelho. A refinaria sofreu novo ataque em 4 de março, mas sem danos. Israel também reduziu parte da produção de petróleo e gás após ataques iranianos a instalações no país.

O tráfego pelo Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e GNL, está praticamente interrompido após ataques a navios desde 1º de março.

Seguradoras marítimas cancelaram coberturas contra risco de guerra na região, e os EUA consideram escoltar petroleiros e oferecer seguros adicionais, mas especialistas duvidam da eficácia dessas medidas.

Caos no mercado de petróleo pode ser ainda maior nesta segunda

Segundo a Bloomberg, Emirados Árabes Unidos e Kuwait já reduziram produção devido ao esgotamento de estoques, juntando-se ao Iraque, cuja produção caiu cerca de 60%.

Petroleiros evitam o Estreito de Ormuz, limitando embarques e enchendo rapidamente os estoques terrestres da região. A Arábia Saudita está redirecionando recordes de petróleo para a costa do Mar Vermelho, mas ainda assim o volume exportado é inferior à metade do habitual pelo Golfo Pérsico.

Com as paralisações neste final de semana, os mercados de petróleo devem enfrentar ainda mais caos nesta segunda-feira, 9.

Na sexta , 6, os contratos futuros de petróleo voltaram a disparar com o WTI ultrapassando a marca de US$ 90 o barril, à medida que o Oriente Médio começa a sentir a pressão sobre a produção e capacidade de armazenamento diante da guerra entre EUA e Irã.

No fechamento, o contrato do Brent para maio subiu 8,52%, a US$ 92,69 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril disparou 12,20%, a US$ 90,90 por barril na Nymex. No acumulado da semana, os ganhos recordes alcançam 27,78% e 35,63%, respectivamente.

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