Guerra no Irã encarece passagens, cancela voos e derruba ações pelo mundo

Por Ana Luiza Serrão 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra no Irã encarece passagens, cancela voos e derruba ações pelo mundo

O conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que iniciou no último dia 28, desencadeou uma crise imediata e profunda no setor de aviação.

O mercado de energia reagiu com extrema volatilidade, levando o preço do petróleo Brent a subir até dois dígitos e atingir patamares superiores a US$ 100 por barril, níveis que não eram registrados desde 2022.

Essa escalada nos preços da commodity pressiona diretamente as estruturas de custos das transportadoras aéreas em todo o mundo, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

O setor aéreo sofreu pesadas perdas nas bolsas de valores internacionais. Na Ásia, as ações da Korean Air Lines despencaram 8,6%, enquanto a Air New Zealand caiu 7,8% e a Cathay Pacific recuou 5%.

Na Europa, empresas como Air France-KLM, International Airlines Group (dona da British Airways), Wizz Air e Lufthansa viram seus papéis recuarem entre 2,5% e 6% nas primeiras negociações do dia.

Para a diretora de pesquisa da Morningstar, Lorraine Tan, os custos proibitivos podem restringir a demanda por viagens de lazer e de negócios durante grande parte de 2026.

Um levantamento realizados pela Reuters, com base em dados do Google Flights, revela que passagens aéreas agora custam até sete vezes mais do que antes da guerra no Oriente Médio.

Um exemplo foi observado na rota entre Seul, na Coreia do Sul, e Londres, no Reino Unido, operada pela Korean Air: o bilhete saltou de US$ 564 para US$ 4.359 em apenas sete dias.

Cancelamentos e restrições logísticas

Dados da Cirium compilados pela Reuters indicam que, entre o início do conflito e o dia 8 de março, mais de 37 mil voos "de" e "para" o Oriente Médio foram cancelados.

Operadoras de grande porte, como Emirates, Qatar Airways e Etihad tiveram suas operações severamente impactadas por fechamentos de espaço aéreo e redirecionamentos.

A Turkish Airlines suspendeu voos pelo Oriente Médio até, pelo menos, o dia 13 de março, incluindo rotas nos países Iraque, Síria, Líbano e Jordânia.

Em resposta à crise, autoridades regionais impuseram restrições operacionais, com solicitações para que operadores de jatos executivos deem prioridade a voos governamentais e comerciais.

A necessidade de rotas mais longas e seguras continua a exigir o carregamento de combustível extra, sobrecarregando ainda mais a capacidade operacional das empresas.

Impacto nos custos e combustíveis

Além disso, o querosene de aviação (QAV) — entre 20% e 25% das despesas operacionais das companhias aéreas — viu seu preço dobrar em certas regiões desde o começo das hostilidades.

Segundo o chefe da Associação de Companhias Aéreas da Ásia-Pacífico, Subhas Menon, o aumento do combustível de jato é ainda mais acentuado do que o do petróleo bruto devido à sua escassez.

"O que aumenta significativamente os custos operacionais, além de sobrecarregar os recursos da tripulação (...) devido aos maiores tempos de voo quando o espaço aéreo está fechado", disse Menon.

Já analistas do Deutsche Bank alertaram que, sem um alívio nos preços a curto prazo, as companhias aéreas globais podem ser forçadas a deixar milhares de aeronaves no solo.

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