Guerra no Irã: França não participará de operação para abrir Estreito de Ormuz, diz Macron

Por Mateus Omena 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra no Irã: França não participará de operação para abrir Estreito de Ormuz, diz Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta terça-feira, 17, que seu país não participará das operações para abrir o Estreito de Ormuz "no contexto atual", mesmo após pressão feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Não somos parte do conflito (da guerra no Irã) e, portanto, a França nunca participará de operações para abrir ou liberar o Estreito de Ormuz no contexto atual", declarou Macron após reunião do Conselho de Segurança francês.

A fala ocorre em meio à escalada de tensões envolvendo o Irã e impactos diretos sobre rotas estratégicas de energia. O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás, o que amplia a atenção internacional sobre a região.

O presidente francês indicou que a posição pode ser revista em outro cenário. Segundo ele, a França considera participar de iniciativas multilaterais quando houver redução das hostilidades. A proposta envolve a criação de um sistema de escolta marítima para garantir a circulação de navios comerciais, incluindo porta-contêineres e petroleiros.

Macron destacou que essa estrutura exigirá coordenação política e técnica simultânea. O desenho do modelo, segundo ele, deve envolver empresas de transporte marítimo, seguradoras e operadores do setor.

Articulação internacional

O governo francês já iniciou diálogos com parceiros internacionais. Macron citou conversas com a Índia, países europeus e nações da região como parte da construção do mecanismo.

"Este trabalho envolverá discussões e uma desescalada com o Irã, porque em nenhum caso pode se tratar de uma operação pela força; portanto, deve ser construído nos dias e semanas vindouros", afirmou.

O presidente indicou que, nesse novo contexto, a França poderá assumir papel na garantia da livre circulação marítima. Ressaltou, no entanto, que essa eventual atuação deve ser separada de operações militares em curso.

“Mas estamos preparados para realizar neste marco, necessariamente mais complexo e voluntário, o que estamos estruturando atualmente", acrescentou.

Macron reiterou que a atuação francesa na região mantém caráter defensivo, com presença militar concentrada no Mediterrâneo Oriental. O Estreito de Ormuz, segundo ele, representa o ponto de maior sensibilidade no momento e seguirá sob avaliação das autoridades.

Em declaração anterior, no dia 11, após reunião virtual do G7, o presidente já havia mencionado a necessidade de coordenação entre marinhas para restabelecer o tráfego no estreito. Na ocasião, indicou que a implementação de um plano desse tipo demandaria semanas.

*Com informações da agência EFE.

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