Guerra no Irã gerou US$ 270 bilhões de prejuízo e deixou milhões sem emprego

Por EFE 3 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Guerra no Irã gerou US$ 270 bilhões de prejuízo e deixou milhões sem emprego

Faz semanas que as explosões pararam de ser ouvidas no Irã e, embora a república islâmica tenha resistido à investida bélica de Israel e dos Estados Unidos, os iranianos enfrentam agora uma deteriorada situação econômica, com inflação de 100% em alguns produtos alimentícios, menos empregos e a incerteza de um futuro pior.

O bazar de Tajrish, no norte de Teerã, recuperou a agitação habitual após 20 dias de trégua e seus becos estão cheios de potenciais clientes, mas os comerciantes afirmam que as vendas não se recuperaram.

"Estamos apenas vivos", disse à Agência EFE Reza, dono de uma banca de frutas e legumes. O vendedor aponta para o céu, em referência aos bombardeios que atingiram a capital por 39 dias seguidos e que ele teme que retornem, e em seguida toca o estômago para indicar que o negócio não vai bem.

Não muito longe dali, em uma loja dos apreciados frutos secos e açafrão iranianos, a vendedora afirmou que as vendas melhoraram desde o início da trégua em 8 de abril, mas a situação não voltou ao normal.

"Na verdade, não acredito que voltará ao normal tão cedo", acrescentou. E ela tem razão.

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel causaram danos avaliados em US$ 270 bilhões e atingiram quase 3.000 infraestruturas industriais, segundo o governo iraniano. Isso, somado ao corte da internet e agora ao bloqueio naval americano, está afetando uma economia que já cambaleava há anos, acelerando as demissões e disparando a inflação para 71%.

Tudo isso provocou, até o momento, a perda de um milhão de empregos diretos e de dois milhões indiretos, informou recentemente o vice-ministro do Trabalho, Cooperação e Bem-Estar Social, Gholamhosein Mohamadi.

Mas a situação pode piorar, segundo o analista Hadi Kahalzadeh, do Instituto Quincy, que adverte que outros milhões de empregos podem ser afetados pela queda do consumo interno, falta de liquidez e incerteza, conforme publicado na Bourse & Bazaar Foundation, especializada na economia do Oriente Médio.

Entre as indústrias atacadas pelos Estados Unidos e Israel estão as mais importantes do país, como a petroquímica e a siderúrgica, responsáveis por centenas de milhares de postos de trabalho diretos e por exportações que somaram, no ano passado, US$ 13 bilhões e US$ 6 bilhões, respectivamente.

Após os bombardeios, 50 unidades petroquímicas fecharam e a principal siderúrgica iraniana e uma das maiores do Oriente Médio, a Mobarakeh, levará pelo menos um ano para recuperar sua capacidade normal, o que levou à proibição das exportações desses dois setores até novo aviso.

Danos a vários setores

As consequências dos danos a essas duas indústrias estendem-se a setores como o da construção, que emprega 3,8 milhões de iranianos, segundo Kahalzadeh, e também ao da produção automobilística, em um país que importa poucos veículos.

Além disso, os preços de plásticos, embalagens, tubulações e tecidos estão subindo, o que, por sua vez, eleva o custo de produtos básicos como os laticínios.

A tudo isso somam-se os prejuízos econômicos causados pelo corte da internet imposto pelo governo iraniano desde 28 de fevereiro, dia em que a guerra começou e que se estende até hoje, dificultando as comunicações e paralisando negócios.

Este corte de internet tem um custo diário de US$ 3,3 milhões, afirmou o ministro das Comunicações iraniano, Sattar Hashemi, e afeta principalmente pequenas e médias empresas.

Soma-se a isso o bloqueio naval aos portos e navios iranianos imposto pelo presidente americano, Donald Trump, em 13 de abril, que tem como objetivo paralisar as exportações de petróleo iraniano, que atingiram US$ 80 bilhões no ano passado.

Este agravamento da economia ocorre meses após os protestos de dezembro e janeiro, que se espalharam pelo país pedindo o fim da república islâmica e foram esmagados com uma repressão que causou pelo menos 7.000 mortes, segundo dados da ONG Hrana.

A repressão a esses protestos foi um dos motivos iniciais alegados por Trump para iniciar a guerra contra a República Islâmica, sob a justificativa de ajudar a população iraniana.

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