Guga desembarca em Paris e torcida sonha com o grito “Allez, Fonsecááá!”
O tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten, o Guga, desembarcou neste sábado (30) em Paris acompanhado da esposa, Mariana Soncini, e do irmão Rafael Kuerten. Campeão do torneio em 1997, 2000 e 2001, o maior nome da história do tênis brasileiro estará neste domingo no Court Philippe-Chatrier, a quadra central do Stade Roland-Garros, para acompanhar João Fonseca em mais um capítulo da campanha histórica do jovem carioca no torneio.
O brasileiro, 30º colocado no ranking da ATP, enfrenta o norueguês Casper Ruud, 16º colocado no ranking mundial, pelas oitavas de final, a partir das 15h15, no horário de Brasília. E o tricampeão estará ali, pessoalmente, na arquibancada, para incentivar Fonseca.
A presença de Gustavo Kuerten em Paris reforça o simbolismo do momento. Três vezes campeão em Roland Garros, o catarinense volta ao palco onde se tornou ídolo mundial para torcer por Fonseca, que vem de uma vitória épica sobre Novak Djokovic e recolocou o Brasil no centro das atenções do tênis internacional.
A cena também permite um paralelo histórico. Em 2004, no mesmo Roland Garros, Guga derrotou Roger Federer, então número 1 do mundo, na terceira rodada do torneio. Vinte e dois anos depois, João Fonseca escreveu uma página de peso semelhante, também na terceira rodada, ao superar Novak Djokovic, dono de 24 títulos de Grand Slam e considerado por muitos o maior tenista de todos os tempos. O sérvio ocupa atualmente a 4ª posição no ranking da ATP.
A diferença está no roteiro: enquanto o catarinense venceu Federer em sets diretos, Fonseca construiu uma virada épica depois de perder os dois primeiros sets, em 4h53 de partida.
Na sexta-feira (29), Gustavo Kuerten foi flagrado por fãs assistindo ao jogo entre João Fonseca e Djokovic no Aeroporto Internacional de Florianópolis, antes do embarque para Paris. A fisionomia era de pura concentração. Neste sábado, ao desembarcar na capital francesa, o ex-tenista evitou falar com jornalistas. Profundo conhecedor da atmosfera da quadra central de saibro, o tricampeão sabe que o momento é de foco total.
O fato é que a onda em torno de João Fonseca não para de crescer, não apenas no Brasil, mas também em Paris. Quando Guga virou ídolo na capital francesa, a torcida local adotou o brasileiro com um grito que atravessou gerações: “Allez, Guga!” — algo como “Vai, Guga!” ou “Vamos, Guga!”. Na pronúncia das arquibancadas francesas, o canto soava quase como um “Allez, Gugááá!”, com a sílaba final alongada. Agora, diante da ascensão de Fonseca e da comoção provocada pela vitória sobre Djokovic, fica a pergunta: será que o saibro de Roland Garros está prestes a ouvir um novo canto brasileiro, com sotaque francês, ecoando da arquibancada? “Allez, Fonsecááá!”
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