GWM anuncia segunda fábrica no Brasil e escolhe Espírito Santo para novo polo automotivo
A Great Wall Motors (GWM) deu mais um passo na sua estratégia de expansão no Brasil ao anunciar a implantação de uma nova fábrica automotiva no município de Aracruz, no Espírito Santo.
O projeto, apresentado ao governo estadual nesta terça-feira, 24, prevê a instalação de uma planta industrial completa com capacidade produtiva de até 200 mil veículos por ano e potencial de gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos quando estiver em plena operação.
A unidade será construída no Parque Industrial de Aracruz, na região de Barra do Riacho, em uma área útil de cerca de 1,7 milhão de metros quadrados. O investimento faz parte de um plano mais amplo da montadora chinesa, que prevê aproximadamente R$ 10 bilhões em aportes no Brasil.
A chegada da montadora no Espírito Santo reforça a política de industrialização do estado, segundo o governador Renato Casagrande.
“A política industrial gera soberania e fortalece outras atividades. Ter indústrias fortes é fundamental para continuar gerando emprego e renda, além de atrair fornecedores e diversificar a economia”, afirmou o governador em coletiva.
Fábrica da GWM em Iracemápolis, interior de São Paulo: primeira unidade da montadora chinesa no Brasil foi inaugurada em agosto do último ano (GWM/Divulgação)
Cadeia automotiva e impacto econômico
A futura fábrica terá processo produtivo completo, incluindo estamparia, soldagem, pintura e montagem final, e deverá se posicionar como a unidade mais avançada tecnologicamente da GWM nas Américas.
Na fase de implantação, a expectativa é a criação de 1.500 a 3.500 empregos, principalmente na construção civil. Já na fase operacional, o impacto pode chegar a até 10 mil postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando não apenas a indústria automotiva, mas também serviços, logística e fornecedores locais.
O projeto também prevê forte demanda por insumos: estimam-se entre 200 mil e 350 mil toneladas de concreto e até 70 mil toneladas de aço durante a construção, além de compras futuras de matérias-primas e componentes no mercado nacional.
Para o vice-governador Ricardo Ferraço, a instalação da planta representa um salto industrial para o estado.
“Conseguimos atrair uma parcela significativa do investimento da empresa para o Espírito Santo. É um projeto de desenvolvimento inclusivo, com impacto econômico relevante e geração de empregos qualificados”, disse.
Decisão estratégica após avaliação nacional
A escolha do Espírito Santo, de acordo com Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais da GWM, foi resultado de uma análise comparativa entre diferentes estados brasileiros.
“Rodamos por vários estados da federação e encontramos no Espírito Santo as condições ideais de competitividade, que fazem parte do DNA da marca”, afirmou.
Entre os fatores decisivos estão infraestrutura logística, incentivos industriais, segurança jurídica e disponibilidade energética, pontos considerados estratégicos para a cadeia automotiva, especialmente diante da crescente demanda por veículos eletrificados e tecnologias sustentáveis.
Projeto de longo prazo e mobilidade sustentável
As negociações começaram em 2023 e envolveram missões internacionais, visitas técnicas e articulações com órgãos ambientais, energéticos e fiscais. Em janeiro de 2026, foi assinado o Termo de Compromisso de Investimento após missão oficial à China com autoridades brasileiras e executivos da montadora.
A nova fábrica, segundo o secretário de Desenvolvimento, Rogério Salume, posiciona o estado em um novo patamar na indústria automotiva.
“Estamos falando de um investimento transformador, que fortalece a cadeia produtiva, gera empregos e insere o Espírito Santo no mapa global da indústria automotiva de alta tecnologia.”
Próximas etapas
Os próximos passos incluem estudos topográficos, sondagens técnicas, licenciamento ambiental e início da preparação do terreno. A expectativa é que o avanço dessas fases defina o cronograma de construção da planta.
Com a nova fábrica, a GWM amplia sua presença industrial no Brasil e reforça a aposta no país como mercado estratégico para produção, inovação automotiva e expansão na América Latina.
A primeira fábrica da GWM no Brasil
Antes do anúncio da nova planta no Espírito Santo, a GWM já havia iniciado sua produção nacional em Iracemápolis (SP), em agosto do último ano – a unidade, inclusive, foi inaugurada com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A fábrica paulista foi adquirida da Mercedes-Benz em 2021 e marcou o primeiro passo industrial da montadora chinesa no país.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (centro), cumprimenta Mu Feng (4º à direita), CEO da Great Wall Motor (GWM) da China, na inauguração da fábrica de automóveis chinesa em Iracemópolis, São Paulo (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images) (NELSON ALMEIDA / Colaborador/Getty Images)
A planta já opera com cerca de 400 trabalhadores e tem capacidade instalada para produzir até 50 mil veículos por ano, com foco em modelos híbridos e sustentáveis. A produção inicial está estimada entre 20 mil e 30 mil unidades anuais, com expansão gradual para 50 mil em até três anos. No horizonte de longo prazo, a meta é atingir 100 mil veículos por ano.
O primeiro modelo nacional é o Haval H6, SUV híbrido que se tornou o principal produto da marca no Brasil.
Os aportes totais anunciados pela GWM no país somam R$ 10 bilhões, divididos em duas fases:
A expectativa é que a unidade de Iracemápolis gere entre 800 e 1.000 empregos diretos.
O novo investimento da GWM reforça um movimento mais amplo de avanço das montadoras chinesas no Brasil. Marcas como BYD, CAOA Chery, JAC Motors e GAC Motor vêm ampliando presença no país, seja com importação de veículos eletrificados ou com investimentos em produção local.
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