“Há uma fluidez crescente em nossa relojoaria”, diz CEO da Bvlgari

Por Ivan Padilla 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
“Há uma fluidez crescente em nossa relojoaria”, diz CEO da Bvlgari

GENEBRA. O francês Jean-Christophe Babin é um dos executivos mais afáveis do mundo da relojoaria. Aos 66 anos, ele se prepara para dar um passo decisivo em sua bem-sucedida trajetória: em junho, assumirá o comando de toda a divisão de relógios do grupo LVMH.

Formado pela HEC Paris, Babin iniciou a carreira na Procter & Gamble antes de passar pelo Boston Consulting Group. Mas foi no universo do luxo que ele consolidou seu nome. Durante 12 anos esteve à frente da TAG Heuer, período em que conquistou oito prêmios no Grand Prix d’Horlogerie de Genève.

Em 2013, Babin assumiu o comando da Bvlgari. Sob sua liderança, a maison de origem romana reforçou sua identidade como joalheira contemporânea global, expandiu sua presença no setor de hospitalidade e acelerou a integração entre canais físicos e digitais.

No ano anterior, a Bvlgari havia lançado lançou a linha Octo, que se tornou em muito pouco tempo um ícone da relojoaria e bateu sucessivos recordes de movimento mais fino do mundo. Nesta edição da Watches & Wonders, que acontece entre os dias 14 e 20 de abril em Genebra, a marca apresentou uma nova versão da linha, em caixa menor.

Na véspera da abertura do salão, Babin falou com a EXAME Casual. Confira a entrevista.

Este ano, a Bvlgari apresentou um Octo Finissimo de 37 mm. Podemos dizer que a tendência de caixas menores continua?

Em vez de uma tendência, eu descreveria isso como um reequilíbrio mais amplo. A mudança para 37 mm não tem como objetivo tornar o relógio menor por si só, mas sim alcançar proporções coerentes e melhor ergonomia. Reflete uma abordagem mais universal do design de relógios, que considera conforto, usabilidade e elegância em diferentes pulsos e estilos de vida. Nesse sentido, trata-se menos de seguir uma direção e mais de refinar o objeto até sua expressão mais relevante nos dias de hoje.

A Bvlgari não diferencia coleções masculinas e femininas. Você vê mulheres usando a linha Octo e homens usando a linha Serpenti?

Sempre acreditei que a criação vem antes da categorização entre masculino e feminino. Algumas de nossas coleções, como Serpenti, têm uma identidade forte enraizada na joalheria, enquanto outras, como Octo, têm origem na relojoaria de inspiração arquitetônica. Mas, no fim, o que importa é como a peça se conecta com o indivíduo. Cada vez mais vemos clientes escolhendo relógios com base em design, proporção e afinidade pessoal, em vez de categorias predefinidas. Nesse sentido, sim, há uma fluidez crescente. O objeto encontra quem o usa, e não o contrário.

Este ano, a LVMH Watch Week aconteceu apenas na Europa, voltada para jornalistas europeus. Em anos anteriores, a imprensa latino-americana participou de edições realizadas nos Estados Unidos. Qual a importância do mercado latino-americano, e do Brasil em particular, para o grupo?

A América Latina é um mercado importante, com forte afinidade cultural tanto com a relojoaria quanto com a joalheria. O Brasil, em particular, se destaca pela sofisticação de seus clientes e pela apreciação por design marcante, personalidade e excelência artesanal. É um mercado onde identidade de marca e criatividade têm grande ressonância. O formato dos eventos pode evoluir dependendo do contexto e das prioridades, mas nosso compromisso com a região permanece inalterado. Continuamos investindo em relações de longo prazo com clientes e parceiros em toda a América Latina.

Você foi CEO da TAG Heuer por 12 anos e agora está há 13 anos como CEO da Bvlgari. Ambas as marcas vêm lançando novas versões de seus modelos icônicos. Os clientes esperam reinterpretações dos clássicos a cada ano?

Os clientes esperam continuidade, mas também esperam relevância e inovação. Ícones não são objetos estáticos, eles evoluem com o tempo. O desafio não é mudá-los, mas reinterpretá-los com precisão e respeito. Cada nova versão deve trazer algo significativo, seja em proporção, material, inovação técnica ou execução. Não se trata de frequência, mas de coerência. Quando a evolução é justificada e bem executada, ela fortalece a identidade da coleção, em vez de diluí-la.

Na sua visão, qual é o futuro da indústria relojoeira nos próximos 10 a 20 anos?

A indústria relojoeira continuará evoluindo, mas seus fundamentos permanecem muito sólidos. A relojoaria já ultrapassou seu propósito funcional original. Hoje, ela representa cultura, artesanato e uma forma de expressão pessoal. Essa dimensão tende a se tornar ainda mais importante com o tempo. Ao mesmo tempo, veremos inovação contínua, em materiais, design e na forma como os relógios são vivenciados e conectados. Tecnologias digitais, por exemplo, podem enriquecer a experiência de posse sem substituir o objeto em si. No fim, o futuro da relojoaria será moldado por sua capacidade de permanecer relevante: combinando excelência técnica, relevância estética e ressonância emocional de uma maneira que continue a dialogar com novas gerações.

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