Haddad: Brasil pode crescer entre 3,5% a 4% ao ano em 'próximo mandato'
NOVA DÉLI* - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse neste sábado, 21, que o Produto Interno Brasil (PIB) do Brasil pode crescer entre 3,5% a 4% ao ano em um eventual próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diante de uma plateia com centenas de empresários indianos e brasileiros, Haddad apontou estimar este nível de aquecimento econômico a partir de reformas já feitas durante sua gestão na pasta.
"Estamos crescendo a uma média de 3% ao ano e, com com essas reformas, esperamos levar o PIB potencial do Brasil para algo em torno de 3,5 a 4% ao ano", disse Haddad na abertura do India-Brazil Business Forum, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Investimentos e Exportações (ApexBrasil), em Nova Déli.
O evento acontece em paralelo à visita de Estado de Lula ao país asiático. O presidente terá uma extensa agenda biltateral neste sábado e terá um encontro privado com o primeiro-ministro, Narendra Modi.
À tarde (no horário local), também se encontrará com alguns dos maiores empresários indianos e fechará o evento de negócios promovido pela ApexBrasil. De noite, ele se encontrará com a presidenta da Índia, Droupadi Murmu, e participará de um jantar de Estado no Palácio Presidencial.
'Reduzir substancialmente os juros'
Em seu discurso, Haddad argumentou que o Brasil saiu de um "déficit crônico" nas contas primárias entre 1,5% e 2% do PIB "para uma situação no fechamento do mandato do presidente Lula de equilíbrio fiscal".
"Se no próximo mandato fizermos apenas metade do esforço feito até aqui para corrigir os desequilíbrios das nossas contas internas, conseguiremos, no próximo mandato, estabilizar a trajetória da nossa dívida pública e reduzir substancialmente os juros para permitir um ciclo de desenvolvimento ainda mais forte do que o atual", afirmou, em referência à disputa eleitoral que se avizinha.
Segundo o ministro, o país registrou a menor inflação acumulada em quatro anos -- o tempo de um mandato, alertou Haddad -- da história.
"Se considerarmos o atual mandato e acumularmos a inflação em 4 anos, será a menor inflação quadrianual da nossa história", disse.
Ele também apontou que o "índice de desconforto", isto é, a soma entre as taxas de inflação e de desemprego, está no menor nível histórico.
Entre as reformas citadas por Haddad, está a mudança da tributação do consumo, aprovada em 2024 e que passará a vigorar parcialmente em janeiro de 2027.
Para o ministro, as novas regras vão permitir ao país ter mais competitividade ao desonerar investimentos e exportações, bem como ser "progressiva" ao prever cashback de impostos para famílias de baixa renda.
Apesar do discurso entusiasta do ministro, o país convive com uma taxa de juros de 15% ao ano, um remédio "amargo" da política monetária que visou justamente conter os riscos inflacionários observados pelos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Índia e Brasil: comércio 'acanhado'
Para Haddad, não há razão para o intercâmbio entre Índia e Brasil ser "tão acanhado como é hoje".
"A obstinação do presidente Lula e tudo o que nós temos ouvido também do primeiro ministro Modi mantém um desejo de aproximação", afirmou.
"Tudo o que está acontecendo entre os nossos países permite vislumbrar um futuro próximo de maior intercâmbio. Nós somos 215 milhões de um lado, 1,4 bilhão de outro lado que precisam de mais trocas, de mais intercâmbio. Não apenas comercial, mas também cultural, também em relação ao turismo, em relação a todas os setores que mantém duas nações da grandeza das nossas próximas uma da outra."
Segundo ele, os países estão diante de uma grande oportunidade "com dois grandes chefes de estado que se querem bem, que representam dignamente as suas nações em busca dessa aproximação".
"O resultado desse encontro não pode ser outro senão o estabelecimento de metas claras para que esses sonhos se realizem quanto antes", afirmou.
Futuro de Haddad
As declarações de Haddad ocorrem em meio à indefinição sobre seu futuro.
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Com data marcada para sair do ministério que ocupou nos últimos anos -- sai no final do mês de fevereiro --, ele tem sido pressionado a concorrer ao governo de São Paulo, como forma de garantir um palanque forte ao presidente Lula nas eleições no estado com maior colégio eleitoral.
Nos bastidores, membros do governo comentam que Haddad resiste à missão, diante da dificuldade de enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e, potencialmente, ter uma derrota significativa no estado.
Caso Lula vença a eleição, a expectativa é que Haddad comande a Casa Civil em um eventual próximo mandato.
Ao mesmo tempo, também existe uma costura política para que ele seja vice na chapa de Lula.
A posição de vice da chapa de Lula ganhou o noticiário recente. O atual vice e também ministro de Desenvolvimento e Comércio, Geraldo Alckmin, já fez chegar ao Planalto a mensagem de que pretende seguir no cargo e que não pensa em concorrer em São Paulo -- outra possibilidade aventada nos bastidores.
Por sua vez, o MDB tem enviado sinais que se interessa pela posição, uma costura liderada pelo senador Renan Calheiros, que indicaria o filho, o ministro dos Transportes, Renan Filho, para a posição.
Com isso, apontou Calheiros publicamente, ele conseguiria garantir apoio do partido ao governo -- hoje, a sigla vota de forma separada.
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