Hantavírus: sintomas, transmissão e risco de pandemia; o que se sabe
O hantavírus voltou a ser tema de preocupação global após um surto em um navio de cruzeiro que partiu de Ushuaia, na Argentina, deixando três mortos. O vírus, transmitido principalmente por roedores silvestres, não é novo: estima-se que ocorram de 10 mil a 100 mil infecções por ano em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, o país já registrou 7 casos da doença em 2026, de acordo com dados do Ministério da Saúde até 27 de abril. Os registros não têm relação com o surto em andamento no cruzeiro. Em 2025, o Brasil registrou 35 casos e 15 mortes por hantavírus.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus zoonóticos que infectam roedores e podem ser transmitidos aos humanos. A infecção pode causar doenças graves e, em alguns casos, levar à morte.
Nas Américas, a principal manifestação é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta pulmões e coração e pode ter taxa de mortalidade de até 50%. Já na Europa e na Ásia, o vírus está associado à Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), que compromete os rins e os vasos sanguíneos.
O vírus Andes, presente na América do Sul — especialmente na Argentina e no Chile — é o único com registro de transmissão limitada entre humanos e está ligado ao surto recente.
Como ocorre a transmissão?
De acordo com a OMS, a principal forma de transmissão ocorre pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores infectados — especialmente em ambientes fechados, secos e mal ventilados.
Entre as situações de maior risco incluem:
A transmissão por mordidas é rara. No caso do vírus Andes, pode haver contágio entre pessoas, mas isso ocorre de forma limitada e geralmente exige contato próximo e prolongado, sobretudo no início da doença.
Quais são os sintomas do hantavírus?
Os sintomas podem surgir entre uma e oito semanas após a exposição e costumam começar de forma inespecífica.
Sintomas iniciais:
Em casos graves (SCPH):
Na forma renal (FHSR):
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico pode ser difícil nas fases iniciais, pois os sintomas se confundem com doenças como gripe, Covid-19, dengue e leptospirose.
A confirmação é feita por exames laboratoriais, como testes sorológicos para detecção de anticorpos ou métodos moleculares, como RT-PCR, especialmente na fase aguda da infecção.
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Existe tratamento para hantavírus?
Não há tratamento antiviral específico nem vacina disponível. O manejo é baseado em suporte clínico intensivo, com monitoramento das funções respiratória, cardíaca e renal.
O atendimento precoce é essencial e pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência, sobretudo nos casos mais graves.
Hantavírus no Brasil: quem é mais afetado?
Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde mostram que:
A taxa de letalidade no país chega a cerca de 41%. A maioria dos casos está ligada a atividades rurais ou contato direto com ambientes contaminados por roedores.
Hantavírus pode causar uma pandemia?
Em coletiva da OMS, a diretora do departamento para Prevenção e a Preparação frente a Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhoverisco afirmou que o risco de pandemia é considerado baixo. Isso porque o vírus não apresenta transmissão eficiente entre humanos. Ainda assim, autoridades mantêm o monitoramento de casos devido ao período de incubação, que pode chegar a até seis semanas na cepa Andes.
Como prevenir o hantavírus?
A prevenção está diretamente relacionada à redução do contato com roedores e ambientes contaminados.
Principais medidas:
Para higienização, recomenda-se o uso de solução de água sanitária diluída (1 parte para 10 de água).
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