Heineken vê na era da moderação o futuro do mercado de cerveja

Por Soraia Alves 12 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Heineken vê na era da moderação o futuro do mercado de cerveja

"Acho que esse é um momento sem precedentes na indústria da cerveja. É uma mudança profunda no comportamento do consumidor, como nunca vimos antes". É dessa forma que Cecília Bottai, vice-presidente de Marketing do Grupo Heineken no Brasil, enxerga o aumento do consumo de cervejas sem álcool ou com receitas mais leves que as tradicionais. A tendência, que é global, une o consumo da bebida à busca por um estilo de vida mais balanceado e, para a executiva, está só no começo.

"As pessoas querem continuar bebendo em momentos especiais e de encontros, mas estão buscando formas de moderar esse consumo. O pensamento é: 'Vou beber, mas uma versão zero álcool'. 'Vou beber, mas uma cerveja com teor calórico menor'. Para mim, essa tendência de mais equilíbrio chegou para ficar", reforça Cecília, em conversa com a EXAME durante o Web Summit Rio 2026.

Por acreditar que essa mudança no padrão de consumo não é passageira, a Heineken investiu no desenvolvimento de um novo rótulo, a Heineken Ultimate. Com 97 calorias (30% a menos que a versão regular), sem glúten e menor teor alcoólico (3,5%), a novidade global, lançada primeiramente no Brasil, junta-se à Heineken 0.0 para ampliar o portfólio da marca focado no consumo pautado pelo equilíbrio.

Socialização ainda mais em alta

Manter o ritual social de beber em eventos e encontros é outra aposta da vice-presidente de Marketing da Heineken. Ainda que as novas formas de socialização possam surgir, especialmente ligadas ao comportamento de cada geração, o ritual tende a ser mantido.

Ela exemplifica a teoria com o conceito de Social Runners, jovens que trocam o bar pela pista de corrida, mas que ainda desejam celebrar o esforço físico com uma bebida que se encaixe na sua rotina de saúde.

"Identificamos que as gerações mais novas socializam menos no bar e mais na corrida, por exemplo. Se as pessoas estão se conectando na corrida, a gente tem que estar lá", destaca.

Novidades com o sabor de sempre

Neste novo cenário, Cecília destaca que a Heineken esbarra sempre em um mesmo desafio de inovação: o sabor. Segundo a executiva, os consumidores querem produtos que estejam alinhados aos seus novos padrões de consumo, mas com o mesmo sabor da versão tradicional.

"O brasileiro aprecia cerveja e, por isso mesmo, é interessante ver essa abertura do público para novos produtos. Mas, sempre que testamos algumas inovações no Brasil, o segredo é sempre manter o sabor original de Heineken. As pessoas não querem um produto que mexa com o sabor da cerveja. Elas querem a cerveja que elas já gostam, mas com mais benefícios", analisa Cecília.

A velocidade para o desenvolvimento dessas inovações também mudou. A executiva conta que, enquanto o ciclo para consolidar a cerveja zero levou cerca de cinco anos, a expectativa para os novos lançamentos é que esse tempo caia para apenas um ou dois anos. "Não dá mais para ficar parado. No mundo de hoje, as transformações são cada vez mais rápidas", enfatiza.

IA acelera processos

Nesse processo acelerado, a inteligência artificial tem sido uma aliada da companhia, ajudando a organizar o vasto volume de dados e a testar ideias com agentes virtuais antes mesmo de chegarem ao consumidor final. No entanto, o fator humano permanece central para entender as nuances do desejo por equilíbrio.

"As pessoas estão sedentas por ter conexões reais, ver o artista favorito em carne e osso, encontrar os amigos", aponta a executiva. "Esse desejo de 'vida real' também aumenta a busca por produtos que permitam aproveitar o momento sem excessos", conclui.

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