Huawei prepara estreia comercial de chip de IA e mira espaço aberto por restrições à Nvidia na China

Por Maria Eduarda Cury 28 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Huawei prepara estreia comercial de chip de IA e mira espaço aberto por restrições à Nvidia na China

A Huawei está próxima de começar a vender seus chips de inteligência artificial para primeiros clientes. O produto pensado para rivalizar com a Nvidia atraiu empresas como ByteDance e Alibaba, que estão direcionando seus esforços financeiros para recursos de IA, apontou a Reuters.

O componente, chamado 950PR, foi desenhado para competir com soluções da Nvidia e ganhou tração por uma característica considerada estratégica: a compatibilidade com o CUDA, plataforma de software da rival americana amplamente usada no treinamento e operação de modelos de IA. A Huawei planeja enviar 750 mil unidades na primeira leva comercial, de acordo com a reportagem.

Desde janeiro, potenciais compradores já receberam amostras do chip para testes, embora ainda não tenham comentado publicamente os resultados iniciais. A expectativa é que a comercialização comece no segundo semestre, enquanto a produção em massa está prevista para abril. Conforme a Reuters, haverá duas versões do produto: uma mais simples, voltada a tarefas gerais, e outra equipada com memória HBM, sigla para memória de alta largura de banda, usada em aplicações mais exigentes.

Antes do 950PR, a Huawei tentou ampliar a presença do Ascend 910C por meio de iniciativas do governo de Shenzhen, cidade do sul da China que tem programas de incentivo à adoção de tecnologia nacional por empresas locais. O resultado, porém, ficou abaixo do esperado, indicando que subsídios e diretrizes oficiais, sozinhos, não garantem escala comercial quando o mercado ainda depende de ecossistemas de software e desempenho já consolidados.

Nvidia segue limitada, e empresas chinesas ampliam aposta em produção local

As restrições à exportação de semicondutores avançados para a China foram reforçadas pelo governo Donald Trump no ano passado, sob o argumento de proteger a liderança tecnológica dos Estados Unidos e a segurança nacional. Embora a Nvidia tenha obtido aval de autoridades americanas e chinesas para vender chips H200 no país asiático, ainda não há sinal de normalização ampla das remessas.

Esse cenário abriu mais espaço para fabricantes chinesas. Entre as companhias beneficiadas por políticas de incentivo aparecem a SMIC, maior fabricante de chips da China, a Hua Hong Semiconductor e divisões da própria Huawei, que acelerou os investimentos em tecnologia própria depois de sofrer sanções americanas. A combinação entre restrições externas e apoio estatal interno transformou os chips de IA em uma frente central da política industrial chinesa.

Hoje, a China produz menos de 20 mil placas semicondutoras, os chamados wafers, mas a meta oficial é alcançar 100 mil unidades em até dois anos e chegar a 500 mil até 2030. Ainda assim, analistas avaliam que a indústria local não consegue, por enquanto, atender sozinha toda a demanda por chips avançados. Por isso, mesmo com o impulso às alternativas domésticas, uma eventual recomposição de negócios com a Nvidia continua no radar de parte do setor.

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