IA pode acabar com empregos de forma permanente — e isso pode ser inevitável, diz CEO da Anthropic

Por Tamires Vitorio 11 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
IA pode acabar com empregos de forma permanente — e isso pode ser inevitável, diz CEO da Anthropic

Para Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, a inteligência artificial pode destruir empregos de forma permanente — e isso pode ser uma propriedade inevitável da tecnologia, não um efeito colateral evitável.

Em um ensaio publicado na quarta-feira, 10, Amodei afirmou que "há uma possibilidade real de que, apesar de todos os nossos esforços, a IA ainda cause perda significativa e duradoura de empregos — e que isso possa ser algo intrínseco da tecnologia."

Por que desta vez pode ser diferente?

Amodei parte de uma premissa que distingue a IA de tecnologias anteriores.

Revoluções tecnológicas passadas eliminaram categorias de trabalho, mas sempre criaram novas em quantidade suficiente para absorver os deslocados.

A questão, na avaliação dele, é que a IA substitui capacidades cognitivas humanas de forma muito mais ampla e muito mais rápida do que qualquer tecnologia anterior.

Não é uma máquina que faz uma tarefa específica melhor do que um humano. É um sistema que pode fazer a maioria das tarefas cognitivas melhor do que humanos.

"Corremos o risco de acabar num mundo onde o indicador de equilíbrio económico está preso no cenário de hipercrescimento e hiperdesigualdade, e é potencialmente muito difícil reverter essa situação", afirmou. "O principal desafio nesse mundo não será incentivar o crescimento, mas encontrar uma forma de todos compartilharem os benefícios."

Amodei também fez questão de deixar claro que não está descrevendo o futuro como inevitável nem como desejável.

"O deslocamento duradouro de empregos é indesejável e perigoso, e devemos fazer tudo o que pudermos para minimizá-lo ou evitá-lo, não para fazê-lo acontecer", escreveu.

O que ele propõe?

O ensaio inclui propostas concretas para lidar com o deslocamento.

A primeira é medição: governos precisam expandir suas estatísticas econômicas para rastrear com mais precisão o impacto da IA no mercado de trabalho.

A Anthropic já opera um Índice Econômico que monitora como as pessoas usam o Claude há mais de um ano e meio, mas governos têm acesso a dados que empresas privadas não têm.

A segunda categoria são incentivos pró-emprego: seguro de salário para trabalhadores que precisem aceitar empregos com remuneração menor, incentivos fiscais de retenção para que empregadores não demitam, subsídios de treinamento de força de trabalho e infraestrutura para conectar empregadores a trabalhadores com mais rapidez.

No cenário mais extremo, Amodei admite que pode ser necessário ir além.

"Se o deslocamento de empregos causado pela IA acabar sendo grande em magnitude e reduzir permanentemente a demanda por trabalho, provavelmente será necessário ir além de meros programas de incentivo para suporte de renda de longo prazo para uma fração significativa da força de trabalho", disse.

Mecanismos como renda básica universal poderiam ser financiados por impostos sobre empresas relevantes, segundo ele, ou pelo aumento do imposto sobre ganhos de capital.

"Qualquer resposta ao deslocamento de empregos pela IA precisa abordar tanto a necessidade de prover economicamente para todos quanto a necessidade de as pessoas encontrarem significado, propósito e agência. O segundo é, em última análise, mais importante", escreveu Amodei.

Ele se diz otimista de que, mesmo num mundo em que a IA seja melhor do que todos em tudo, os humanos ainda possam viver "vidas de propósito profundo".

Mas o executivo reconhece que isso é algo a ser trabalhado coletivamente pela sociedade, não algo que a política pública possa resolver diretamente.

Para Amodei, o desafio da inteligência artificial não se resume a números ou salários. É também um teste sobre como a sociedade distribui significado, propósito e oportunidades.

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