IA pode elevar lucro global dos bancos a US$ 1,3 trilhão até 2030, diz estudo
A inteligência artificial começa a redefinir a lógica de geração de valor no sistema financeiro global. Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) projeta que o lucro dos bancos pode saltar de US$ 900 bilhões, em 2024, para US$ 1,3 trilhão até 2030, impulsionado principalmente por ganhos de produtividade e redução estrutural de custos.
O avanço coloca a tecnologia no centro da estratégia das instituições financeiras — inclusive no Brasil, onde o setor já apresenta alto nível de digitalização.
IA deve gerar US$ 370 bilhões adicionais por ano
De acordo com o levantamento, a adoção intensiva de inteligência artificial pode adicionar US$ 370 bilhões anuais ao lucro do setor bancário global. O principal vetor desse crescimento está na eficiência operacional.
O BCG estima que bancos mais avançados no uso da tecnologia — classificados como “AI First” — podem reduzir seus custos entre 30% e 40% ao longo dos próximos anos. Essa economia, segundo o estudo, tende a compensar pressões sobre receita causadas por maior concorrência e personalização de serviços.
A lógica é que menos custo, mais escala e maior capacidade de resposta ao cliente.
Brasil avança, mas ainda não é 'AI First'
No Brasil, os grandes bancos já operam com alto nível de digitalização e uso intensivo de dados. Tecnologias de IA são amplamente aplicadas em áreas como análise de crédito, prevenção a fraudes e atendimento ao cliente.
Ainda assim, o estudo indica que o país não atingiu plenamente o estágio “AI First”, que exige uma reconfiguração completa do modelo operacional, com a inteligência artificial no centro das decisões e processos.
A transição, segundo o BCG, ainda deve levar alguns anos — tanto no Brasil quanto em mercados mais maduros.
O que muda para o mercado e para as carreiras
O avanço da inteligência artificial no setor bancário sinaliza uma transformação estrutural que vai além da tecnologia. Trata-se de uma mudança no modelo de negócio, na forma de competir e, principalmente, nas competências exigidas dos profissionais.
Em um cenário onde eficiência, dados e automação definem resultados, dominar inteligência artificial passa a ser essencial não apenas para áreas técnicas, mas para toda a cadeia de decisão dentro das organizações.
A tendência é que o setor financeiro funcione cada vez mais orientado por algoritmos — e que o diferencial humano esteja na capacidade de interpretar, supervisionar e direcionar essas decisões.
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