Ibovespa abre maio em queda com pressão de bancos e Vale
O Ibovespa fechou a sessão desta segunda-feira, 4, a primeira de maio, em queda de 0,92% aos 185.600 pontos. O principal índice acionário da B3 volta a cair em meio a um ambiente externo mais turbulento, marcado pelo aumento da aversão ao risco global. Dólar subiu 0,32% a R$ 4,967.
As incertezas em torno de conflitos geopolíticos — com informações sobre possíveis ataques e movimentações envolvendo ativos estratégicos, como navios — levaram a uma alta relevante do petróleo, reacendendo preocupações com inflação e política monetária ao redor do mundo.
Com isso, a curva de juros passou a subir, o que tende a pressionar ativos de risco, como ações. No Brasil, o impacto foi mais visível em setores sensíveis à curva de juros, especialmente o financeiro, que tem grande peso no índice e liderou as perdas do dia.
“O aumento da incerteza global acaba elevando os prêmios de risco, o que se traduz em juros mais altos e, consequentemente, pressiona a bolsa, sobretudo setores mais dependentes de crédito e atividade econômica”, afirma Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.
Itaú (ITUB4) registrou queda de 1,78%, enquanto Bradesco (BBDC4) caiu 2,12%. Banco do Brasil (BBAS3) desvalorizou 1,35%. Já B3 (B3SA3) recuou 0,89%. BTG Pactual (BPAC11) caiu 2,07% e Santander (SAB11) perdeu 1,65%.
Além do cenário externo, o mercado também opera em compasso de espera pela temporada de resultados corporativos, com balanços relevantes de grandes bancos, como Itaú e Bradesco, previstos para os próximos dias. Esses números devem ajudar a calibrar as expectativas dos investidores sobre o desempenho das empresas e o rumo da economia.
Outro fator que contribui para a queda do índice é o movimento de rotação global de portfólio. Com o setor de tecnologia voltando a atrair capital no exterior, parte dos investidores estrangeiros tem reduzido exposição a mercados emergentes como o Brasil.
“Há um fluxo de saída de recursos de mercados emergentes em direção a ativos considerados mais resilientes ou com maior potencial de crescimento, como tecnologia, o que também pesa sobre o desempenho do Ibovespa”, diz Cecco.
As ações da Vale (VALE3), que têm o maior peso no índice, também ajudaram o Ibovespa a fechar com desvalorizaração. Os papéis recuaram 3,10%, mesmo na contramão do minério de ferro, que avançou 1,60% na bolsa de Dalian, na China.
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